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Abuso Espiritual - Você é uma vítima?

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Abuso Espiritual - Você é uma vítima?

Mensagem por EdenOne em Dom Set 03 2017, 22:16

Abuso Espiritual – Você é (ou foi) uma vítima?
 
O termo “abuso”, do latim abusu, indica um “comportamento inadequado, excessivo, contrario aos costumes e á harmonia”. (...) O conceito de abuso aplica-se a qualquer acção humana onde exista uma pré-condição de desnível de poder, seja ele em relação a objectos, seres legislações, crenças ou valores.” – Wikipédia
 
Em sentido religioso, e no contexto da religiosidade cristã, o conceito de “abuso espiritual” pode ser caracterizado pelo uso inadequado do poder religioso ou autoridade espiritual para exercer domínio, pressão ou persuasão indesejada, causando violência psicológica e dano moral sobre a pessoa que se encontra na posição mais vulnerável.
 
Um livro escrito em 1991 por um pastor e catedrático norte-americano, Ronald M. Enroth, com o título “Churches That Abuse”, (clique no link para ler) que estudou o fenómeno das pessoas que se desligaram do movimento evangélico Jesus People USA, identifica sete características distintivas dos grupos que exercem abuso espiritual sobre os seus membros. São elas:
 
1) Distorção das Escrituras – O abuso é exercido a coberto de interpretações bíblicas fundamentalistas e superficiais que encontram em textos bíblicos avulsos a cobertura para as suas acções, e essas interpretações da liderança não podem ser questionadas.
 
2)  Estilo autocrático de liderança – Discordar do(s) líder(es) é discordar de Deus. Obedecer é mais importante do que compreender ou concordar. A democracia é demonizada, ao passo que a teocracia é sobrevalorizada.
 
3) Isolacionismo – O grupo cultiva um sentimento de superioridade face ás demais pessoas fora do grupo. Acreditam terem sido seleccionadas por Deus para um propósito especial, e desencorajam ou proíbem o relacionamento com os ministérios de outras igrejas.
 
4) Elitismo espiritual – É promovida uma cultura interna em que se passa a ideia que, quanto mais elevado o cargo que se ocupa no grupo, maior é o nível de espiritualidade da pessoa. A busca de cargos mais elevados é incentivada. Quanto maior o número de conversos obtidos, maior o grau de espiritualidade percebido, e a ascensão na hierarquia está dependente do grau de serviço (ou de bajulação) mostrado aos superiores hierárquicos. Quem está num nível mais elevado tem permissão implícita ou explícita para mandar nos que estão em níveis inferiores.
 
5) Controle da vida – A liderança do grupo procura controlar todos os detalhes da vida do crente: como usar o tempo, como vestir, como falar, como pensar, que lugares frequentar, com quem ter amizades, com quem namorar, com quem casar, como educar os filhos. A presença e participação nos cultos e demais actividades da igreja é monitorizada ao pormenor e são impostas represálias para quem negligenciar esses deveres.
 
6) Rejeição da discordância – Não existe lugar para o debate teológico, ou existe apenas uma ilusão de liberdade de opinião. As opiniões da liderança são publicadas por escrito e tais escritos são considerados finais e autoritativos. A liderança fala e age como se fosse infalível, e qualquer critica é vista como sinonimo de rebeldia ou insubmissão. Quem insiste em pensar diferente é convidado a sair do grupo e marginalizado.
 
7) Saída traumática – Quem se desliga do grupo ou é expulsa inevitavelmente é rotulada de fraca, infiel, egoísta, ambiciosa, preguiçosa, rebelde, sem fé, apóstata, materialista, ou possuída por demónios. Os membros que permanecem no grupo são pressionados para evitar o contacto com os que saíram. O desligamento de ex-membros é encarada como uma limpeza que Deus fez para purificar o grupo e testar a lealdade dos que ficaram.
 
Notem como estas características foram notadas num grupo evangélico, mas todas elas se aplicam como uma luva ás Testemunhas de Jeová!

---------------
 
Quais são alguns “sintomas” de que alguém está a sofrer abuso espiritual?
 
1) Medo de Deus. No caso particular das Testemunhas de Jeová, elas chamam a isso de “temor de Deus”, um “medo saudável” de desagradar a Jeová. Uma vez que não seguir á risca as imposições do Corpo Governante gera um enorme sentimento de culpa, por ser encarado como desobedecer ou desrespeitar ao próprio Deus, a obrigação implacável e interminável de estar á altura das exigências é motivo de enorme e continuado stress. Isto, claro está, sem falar no pavor de ser destruído no Armagedão ou não ser ressuscitado para a vida eterna no paraíso. Este stress furtivo, porém, persistente, não raro resulta em implicações psicossomáticas graves – depressões, distúrbios de humor, fibromialgias, úlceras gástricas, etc.
 
2) Falta de equilíbrio – A pessoa só parece encontrar paz nas actividades da igreja. Parece lindo a pessoa passar todo o tempo ocupada com actividades da igreja e só ter amigos dentro da igreja. Quando se empenha em actividades alheias á igreja, ou se associa com pessoas fora da igreja, isso parece gerar uma sensação de incómodo e/ou sentimentos de culpa. Entre as Testemunhas de Jeová, o emprego secular, a recreação, ou o tempo gasto com familiares não-Testemunhas são encarados como um mal necessário, ao qual se deve devotar o menos tempo possível, porque o perigo de fraquejar espiritualmente está sempre á espreita, e o Diabo - diz-se - está determinado a enlaçar cada Testemunha de Jeová.
 
3) Perda de autonomia – A vítima de abuso espiritual progressivamente deixa de conseguir pensar, sentir ou decidir sozinho(a).  Nada pode ser decidido sem uma oração, uma consulta á literatura da igreja, ou uma pergunta ao pastor ou ao conselheiro espiritual. As Testemunhas de Jeová são repetidamente lembradas que não devem confiar nem no seu coração nem na sua própria sabedoria. A Organização infantiliza as Testemunhas, de modo que se comportam como crianças temerosas que precisam a cada passo de validação por parte da figura de autoridade – marido, pioneira veterana, ancião, superintendente, (ou suas esposas), Betelitas, membros do Corpo Governante.
 
4) Isolamento e dependência – A vítima de abuso espiritual vai sendo progressivamente afastada e isolada do resto do mundo, ao passo que a sua rede de suporte passa a ser composta quase exclusivamente de membros do grupo. Isso leva a uma dependência cada vez maior, e esta ao fanatismo, porque, mesmo que inconscientemente, a pessoa percebe que, a menos que seja um membro exemplar, corre o risco de exclusão do grupo. E a exclusão é sinónimo de morte espiritual e exclusão social. Entre as Testemunhas de Jeová, a associação com “pessoas do mundo” (inclusivamente familiares) é desencorajada, ao passo que a associação exclusiva com a “fraternidade mundial” das Testemunhas de Jeová é fortemente incentivada. Muitas vezes, o medo real de perder a sua única rede de suporte é o único motivo que prende as Testemunhas de Jeová a uma religião que sabem, intimamente, não ser a verdade.
 
5) Negação -  Normalmente, a primeira reacção de um crente abusado espiritualmente é negar que está nessa situação. Afinal, não são os líderes da sua igreja os homens designados por Deus? Como podem eles praticar abuso sobre a minha pessoa? Se estivessem em transgressão, Deus não permitiria que continuassem no seu cargo. Eu é que devo estar mal, não eles. Eu tenho de me esforçar mais e não deixar que o Diabo me tente através dos meus pensamentos.
 
Se o que leu acima se aplica no seu caso, saiba que está a ser, ou foi, vítima de abuso espiritual por parte das Testemunhas de Jeová. Não está sozinho(a). Aconteceu com todos. Todos nós fomos vítimas – e muitas vezes também perpetradores – de abuso espiritual.
 

------

Deixem relatar uma pequena experiência que se passou com a minha esposa. Quando ela começou a debater-se com uma crise de distúrbio de humor bipolar, e quando o médico psiquiatra pela primeira vez mencionou o diagnóstico, a minha esposa foi visitada pela esposa de um Superintendente de Distrito, nossa conhecida, e uma pessoa que ambos estimávamos. Ela vinha munida de muitas fotocópias de artigos da Sentinela e Despertai, devidamente sublinhados e comentados nas margens. De que tratavam esses artigos? Basicamente, de possessão demoníaca. Ali estava uma figura de autoridade (a esposa de um Superintendente tem uma certa autoridade, pelo menos sobre outras mulheres dentro da Organização) a desacreditar o diagnóstico de um médico credenciado, e a usar o seu peso espiritual para convencer a minha esposa de que o que ela precisava era mais fé, orar muito, ficar mais forte espiritualmente e empenhar-se mais na pregação. E cuidado que os psiquiatras podem ser instrumentos do Diabo! Escusado será dizer que essa “visita de encorajamento” perturbou imenso a minha esposa. Felizmente não permitimos que isso interrompesse o tratamento dela. Mas, aqui está um exemplo de abuso espiritual.
 
 
Quais são alguns motivos por detrás do abuso espiritual?


(Continua ...)


Eden


Última edição por EdenOne em Seg Set 04 2017, 12:09, editado 6 vez(es)


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Re: Abuso Espiritual - Você é uma vítima?

Mensagem por liberto em Seg Set 04 2017, 04:02

Éden mas a tua esposa continua TJ?



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Re: Abuso Espiritual - Você é uma vítima?

Mensagem por EdenOne em Seg Set 04 2017, 11:45

liberto escreveu:Éden mas a tua esposa continua TJ?

Não, estamos ambos dissociados.
E já agora, parabéns pelo teu post #1000 Wink


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Re: Abuso Espiritual - Você é uma vítima?

Mensagem por EdenOne em Seg Set 04 2017, 22:09

Quais são alguns motivos por detrás do abuso espiritual?



Tem de se reconhecer que, com excepção de alguns casos de pessoas em altos cargos de liderança entre as Testemunhas de Jeová, e que conhecem os "podres" da Organização, mas que, ainda assim continuam a definir a doutrina segundo a qual mais de oito milhões de crentes devem reger a sua vida, o abuso espiritual é cometido por pessoas que sinceramente amam a Deus e a Bíblia e com boas intenções procuram ajudar os seus irmãos na fé.


No entanto, existem motivos preocupantes pelos quais pessoas sinceras e bem-intencionadas infligem dano mental, moral e espiritual aos seus irmãos em nome de Jesus Cristo. 


Falta de Empatia: Na busca do bem-estar espiritual dos seus irmãos e irmãs, muitas Testemunhas esquecem-se de que devem falar COM eles e não PARA eles. Para dar verdadeira ajuda requer-se conhecer o outro. Não adianta papaguear respostas prontas-a-usar do tipo: "tem de fortalecer a sua fé" ou "tem de empenhar-se mais em coisas espirituais" ou "tem de orar mais" ou "tem de gastar mais tempo no ministério" ou "tem de chegar-se mais a Jeová" ou "tem de ler mais a Bíblia", quando não se ouviu a pergunta. Dizer simplesmente que "Jeová irá resolver o problema quando trouxer o Reino" é uma platitude que não resolve o problema da pessoa e faz muito pouco para dar ânimo, tendo em conta que as Testemunhas já aguardam o iminente Reino há mais de um século. Tentar "ajudar" alguém, sem verdadeiramente conhecer a pessoa e o seu problema é como um médico prescrever um remédio sem conhecer o seu doente: Provavelmente irá resultar em dano.


Narcisismo: Existem muitas Testemunhas com problemas de narcisismo. Os narcisistas têm o problema de acharem que a sua pessoa, os seus pontos de vista, as suas opiniões, os seus pensamentos, as suas acções e as suas crenças são verdadeiramente reais e válidas; ao passo que as mesmas coisas no outro são menos reais e menos válidas. No contexto religioso, o narcisista julga que aquilo que ELE acha é aquilo que DEUS acha, e que o SEU ponto de vista é categórico porque, na sua opinião, se baseia na BÍBLIA, ou numa PUBLICAÇÃO da Sociedade. Acham que qualquer ideia que lhes vem á cabeça é o resultado da orientação do Espírito Santo. Acham incompreensível que outras pessoas não os encarem como referências fidedignas, ou que pensem que as suas acções e os seus argumentos não sejam puros. Por se acharem muito justos e piedosos, acham que tudo o que dizem e fazem é justo e piedoso, e nem lhes ocorre que os outros não encarem as coisas do mesmo modo.


Mentalidade Preto/Branco: Os abusadores espirituais não raro exibem um padrão de pensamento em que predomina a dicotomia "preto e branco"; com eles tudo é bom ou mau, isto ou aquilo, espiritual ou mundano, nós ou eles, dentro ou fora. Quando algo é bom, então é inteiramente bom (exemplo: TUDO o que o "escravo fiel" providencia é BOM, porque foram designados por Jesus) e quando algo é mau, então é inteiramente mau (exemplo: o conhecimento de fontes seculares é sempre mau se contradiz o que é ensinado pela organização, e, logo, origina-se do Diabo). Naturalmente, que os abusadores espirituais se colocam invariavelmente dentro do campo do "inteiramente bom", ao passo que os que deles discordam são automaticamente colocados no campo do "inteiramente mau". Para estas pessoas, a Bíblia tem todas as respostas, e não há áreas cinzentas ou espaço para dúvidas. Quem duvida é fraco. Apenas eles são os verdadeiros crentes, os outros foram corrompidos pelo "fermento" espiritual. Este tipo de pessoas acreditam que a Bíblia é a resposta universal para todo e qualquer problema, e que qualquer outra fonte de conhecimento (por exemplo, médico-científico-histórico) deve ser encarado por defeito com muita cautela e, se contradiz a Bíblia ou um qualquer ensino do Corpo Governante, deve ser linearmente rejeitado. 


Desligamento da realidade: Muitos entre as Testemunhas de Jeová que se prestam a "aconselhar" e dar "ajuda espiritual" a outros sofrem eles mesmos de graves problemas de dissociação da realidade e nunca se lhes deveria ser permitido estarem numa posição de poder aconselhar outros. Muitos vivem uma "realidade alternativa" alienada do mundo fora da congregação (veja-se como muitos Betelitas e superintendentes viajantes parecem simplesmente viver numa 'bolha de realidade alternativa', incapazes de verdadeiramente sentirem empatia com os seus irmãos e irmãs que enfrentam duras realidades quotidianas que simplesmente parecem irreais para aqueles que não têm nunca de lidar com elas). Tais pessoas estão desligadas da realidade porque estão primeiramente desligadas de si mesmas. Não se conhecem a si mesmas. Estão desligados da sua sexualidade, desligados da sua liberdade de pensamento, desligados dos seus sentimentos, desligados das suas reais necessidades (foram todas artificialmente substituídas pelas "necessidades espirituais"), desligados de quem realmente são, e condicionados ao pensamento único. Verdadeiramente, não sabem o que fazem, mas limitam-se a agir e falar segundo uma récita programada, recitando textos bíblicos e lugares-comuns que lhes foram inculcados na cabeça por anos ou décadas de endoutrinação. Não se conhecem a si mesmos e têm medo de se conhecer a si mesmos, porque receiam que não se venham a reconhecer ou não gostem daquilo que verdadeiramente são, ou em que se tornaram.


Zelo irreprimível: O "zelo" é uma característica muito valorizada entre as Testemunhas de Jeová, conquanto seja posto ao serviço dos interesses da Organização. Sem dúvida que o zelo é uma característica enaltecida pelas Escrituras, mas o zelo irreprimível e sem freios é inversamente proporcional ao bom-senso. Muitas Testemunhas de Jeová "zelosas" na pregação usualmente são aquelas que demonstram mais falta de bom senso na abordagem aos moradores, ao dirigirem estudos bíblicos e também, ao lidarem com os irmãos na congregação ... ao darem conselhos. Os zelotas causam muito dano a muita gente porque a sua visão é afunilada e são incapazes de perceber com clareza a imagem geral e o contexto de uma situação. Os seus comentários usualmente são insensíveis e sem tato e atropelam brutalmente a sensibilidade dos outros porque são incapazes de perceber as circunstâncias do outro - apenas vêm textos bíblicos decorados e chavões decalcados de publicações da Sociedade ou escutados em sermões da tribuna de um orador favorito. Um publicador confidencia que se sente cansado? Leva logo com Isaías 40:29-31 e o chavão: "No novo mundo nunca mais nos iremos sentir cansados". Pronto! Problema resolvido. Mais uma ovelha encorajada. Próximo? 


Há aquela história de um pastor Baptista que era tão zeloso, mas tão zeloso, que se infiltrava nos hospitais á noite, para distribuir pelos doentes acamados tratados e panfletos com temas tão apropriados como: "Você está Pronto Para Se Encontrar Com Deus?" ou "O Inferno é Quente, Mesmo Muito Quente!". Não era raro as equipas médicas dos hospitais da cidade terem de cancelar cirurgias após a visita daquele pastor zelota. 


----------------------   


Na realidade, mesmo que apenas intuitivamente, muitos na congregação perceberam que a "santidade" e "retidão" em sentido legalista, dão estatuto entre as Testemunhas de Jeová. E estatuto equivale a poder - o poder de exercer controle ou influência sobre os outros. E a verdade é que muitas Testemunhas adoram exercer esse poder e, infelizmente, não raro abusam dele. Não é exclusivo das Testemunhas de Jeová, mas é uma característica comum aos cultos destrutivos que buscam o controlo mental sobre os seus membros. Imaginem o que é ter o poder de, com um parágrafo da Sentinela, alterar a vida de oito milhões de pessoas! Esse é o poder que têm os membros do Corpo Governante. Em menor escala, é esse tipo de poder que tem um Superintendente de Circuito; ou um Betelita; Ou um ancião; ou uma irmã pioneira experiente. A busca da justiça enobrece a pessoa, mas a crença de que se é justo corrompe a pessoa e pode torná-la num tirano(a) espiritualmente abusador(a) de outros. E um tirano encontra sempre um pretexto para exercer a sua tirania.


Os que abusam espiritualmente de outros na congregação fariam bem em dar ouvidos ao que disse Tiago: "Mas a sabedoria que é de cima é primeiramente pura, então pacífica, gentil, disposta a ceder, cheia de misericórdia e bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia" - Tiago 3:17


Quantas vezes sentimos que um conselho ou admoestação que nos foi dado revelou uma completa falta das características da tal "sabedoria divina", porque não foi nem pacífico, nem gentil, nem misericordioso? 


Certa vez convidei um Superintendente de Circuito (Arménio Castelão) para almoçar em nossa casa durante a visita. Nós tínhamos herdado uma casa e gasto considerável dinheiro a restaurar a casa para a tornar minimamente habitável. Para custear as obras, tínhamos contraído um empréstimo bancário. No entanto, a crise, um período menos bom no meu negócio, e os juros a dispararem tornaram a prestação do empréstimo um fardo considerável. O stress com a doença da minha esposa e sermos jovens pais também não ajudavam. O Superintendente pressionava para que eu "fizesse mais" para me voltar a qualificar como ancião. Durante o almoço, mencionámos ao SC e esposa os desafios e ansiedades com que nos debatíamos. O conselho dele? Com o ar mais desafectado e seco do mundo, observou: "o que vocês têm de fazer é vender a casa e simplificar a vossa vida". E pronto! Está dado o conselho. Agora todos os nossos problemas estavam resolvidos. Como se nós não tivéssemos considerado essa possibilidade e concluído que os custos de o fazer ultrapassavam os benefícios. Passariam ainda três anos antes que conseguíssemos vender a casa. E depois, para onde íamos? E o que fazer á minha actividade profissional, única fonte de rendimento da família? "Têm de confiar em Jeová". Tudo chavões pré-formatados, decalcados das publicações da Sociedade e dos esboços das palestras dos SC aos corpos de anciãos e SM's. Nenhuma sugestão concreta, prática, nenhuma oferta de apoio, nenhum consolo. Nenhum conselho amoroso dado a pensar especificamente no nosso caso. Fiquei furioso por muito tempo. Naquele dia, parte de mim enquanto Testemunha morreu para nunca mais ressuscitar.


Como em outros tipos de abuso, quando alguém é vítima de abuso espiritual, a única forma de escapar á violência é por estabelecer uma barreira entre si e o(a) perpetrador(a) do abuso. Para muitos, esse passo só foi conseguido quando se desligaram das Testemunhas de Jeová.


Tem alguma história de abuso espiritual para partilhar? 




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Re: Abuso Espiritual - Você é uma vítima?

Mensagem por JaFuiTJ em Qui Set 07 2017, 19:02

Vou contar duas histórias relacionadas com a nossa saída da Organização. 

Quando o meu marido já tinha acordado (mas eu ainda não sabia), ele passou semanas a pesquisar e a escrever alguma coisa muito extensa. Quando lhe perguntava o que é que era, ele só dizia que eram pesquisas dele. Escusado será dizer que fiquei com a pulga atrás da orelha. Tanto o chaguei que ele acabou por me prometer que quando estivesse pronto me dava a ler.

Assim, um dia deu-me um calhamaço impresso para a mão e disse: "aqui está o que eu tenho andado a escrever, lê e depois diz-me o que pensas". Quando saiu para trabalhar fui logo ler. Havia uma carta dirigida a mim e nessa carta ele explicava-me que o que eu iria ler não estava de acordo com os ensinos do "Escravo Fiel", que me amava e que deixava ao meu critério o que fazer a seguir.

Quando li a matéria, em que ele defendia com argumentos bíblicos que a esperança celestial era a única esperança de salvação para todos os cristãos, fiquei estarrecida. Para mim aquilo era apostasia pura. Foi um baque! O meu marido era um apóstata!

Fiquei tão atarantada que não sabia o que fazer. Só me ocorreu ligar á minha irmã carnal que é casada com um Superintendente de Circuito. A reação dela: "VAI JÁ A BETEL E FALA COM O J.F.!" (ex-coordenador da nossa congregação e coordenador de um departamento importante em Betel). Quando respondi que iria mais tarde ela disse: "VESTE-TE AGORA E VAI! ISSO É APOSTASIA TENS DE IR JÁ A BETEL!". Eu podia ouvir em fundo o meu cunhado F.R. a ditar as ordens.

Tirei um conjunto de fotocópias para deixar como 'prova do crime' com um ancião da congregação nosso amigo e depois fui a Betel 'entregar o meu marido ás feras'. Escusado será dizer que isto deu inicio a todo um processo de 'caça ás bruxas' ao meu marido que lhe causou imensos problemas.

Olhando para trás, onde está o modo bíblico de resolver problemas? Não dei ao meu marido oportunidade de se explicar, nem de ele próprio se dirigir aos anciãos por sua própria iniciativa. Quando o assunto é apostasia atropelam-se todas as normas bíblicas. Da parte de quem me aconselhou não houve a menor preocupação pela saúde espiritual do meu marido nem pelas consequências do que o que eu fiz traria para o meu casamento. Só interessava destruir rapidamente o apóstata e arrancar-me das suas garras maléficas.

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Re: Abuso Espiritual - Você é uma vítima?

Mensagem por JaFuiTJ em Qui Set 07 2017, 19:49

A segunda história é a seguinte:

Apesar de eu não concordar com as ideias defendidas pelo meu marido, comecei a ficar perturbada pela 'caça ás bruxas' movida pelo jovem ancião coordenador, também ele betelita. Numa noite de insónia fui encontrar na internet informações sobre os escândalos de pedofilia que envolviam a Organização. Na manhã seguinte comuniquei ao meu marido que ia deixar de ir ás reuniões, o que fiz.

Isso serviu logo de pretexto para os anciãos convocarem o meu marido para uma comissão judicativa por apostasia. Foi por um triz, mas ele não foi desassociado; porém, afastou-se definitivamente e passou a ser tratado como se tivesse lepra.

O nosso apagamento da Organização estava a correr bem até que a minha mãe faleceu após uma longa e dura batalha com o cancro. Isso deixou-me vulnerável, e os irmãos da congregação, que sempre me viram como uma vítima do meu marido, por altura do funeral rodearam-me de carinho e "amor cristão" e aquilo mexeu comigo. Passei a assistir ás reuniões outra vez, agora na congregação vizinha.

Foi providenciado um estudo bíblico de recuperação para responder ás minhas muitas dúvidas. E quem melhor do que a esposa de um dos dirigentes da Filial para o dirigir? Durante o estudo, a irmã C.C. esforçou-se por diabolizar o meu marido e assegurar-me que ele me iria fazer a vida negra. Eu dizia-lhe: "a irmã não conhece o meu marido; ele não é esse tipo de pessoa". Ao que ela respondeu: "Oh, irmã! ... eles (os apóstatas) são lobos em pele de ovelha! Quando a irmã menos esperar ele vai-se manifestar!"

Ela recordou-me que um dos motivos "bíblicos" para separação é se um cônjuge põe em perigo a espiritualidade do outro. Embora eu não percebesse isso com clareza na altura, o que a irmã C.C. me estava a aconselhar era a acabar com o meu casamento, sendo que o meu marido nem sequer estava desassociado. Com que autoridade se atrevia esta irmã a influenciar a minha vida desta maneira? O que teria acontecido se eu me tivesse deixado levar? O abuso espiritual podia ter levado ao fim do meu casamento e á perda da minha família.

Felizmente isto só durou três meses. Percebi que as coisas nunca voltariam a ser como antes com relação á Organização, e voltei a afastar-me. Hoje nós os três não somos mais TJ e somos muito felizes.

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Re: Abuso Espiritual - Você é uma vítima?

Mensagem por EdenOne em Qui Set 07 2017, 20:19

JaFuiTJ escreveu: Ao que ela respondeu: "Oh, irmã! ... eles (os apóstatas) são lobos em pele de ovelha! Quando a irmã menos esperar ele vai-se manifestar!"

JaFuiTJ

Tipo ... lobisomem? Morrer a rir

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Re: Abuso Espiritual - Você é uma vítima?

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