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Benny Golson - um exemplo da ridícula homofobia das Testemunhas de Jeová

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Benny Golson - um exemplo da ridícula homofobia das Testemunhas de Jeová

Mensagem por EdenOne em Dom Ago 06 2017, 22:30

Benny Golson - sabem quem é?

Os aficcionados de Jazz provavelmente sabem. Trata-se de um conhecido saxofonista norte-americano de bebop, que compôs um conhecido tema "Whisper Not".

Benny Golson na Wikipedia 
Website oficial de Benny Golson



O que muita gente não sabe é que este cavalheiro é Testemunha de Jeová. Mais: Ancião numa congregação em Los Angeles, Califórnia. Isso consta da sua biografia "Whisper Not - The Autobiography of Benny Golson."

Acontece que este cavalheiro certa vez escreveu um discurso acerca de um artigo que leu numa Despertai. Esse discurso foi ouvido por um Superintendente de Circuito, que achou tão bom, que resolveu enviar a transcrição desse discurso para a sede em Nova Iorque, que achou tão bom, mas tão bom, que resolveu publicá-lo na íntegra na edição da Despertai! (em inglês) de 22 de Dezembro de 1979, páginas 22 a 24.

Mas este artigo tem uma história por detrás. Que se conta assim: Em 1977 o Disco Sound "explodiu" em todo o mundo graças ao filme Febre de Sábado á Noite, que glorificava a música Disco e o estilo de vida noctívago do "clubbing" Nova-Iorquino e fez de John Travolta um ídolo de uma geração. (O filme foi baseado numa história publicada em 1976 na revista New Yorker, e mais tarde, o jornalista que a publicou reconheceu que se tratou de uma história completamente fabricada). Ao som de "Staying Alive" e "Night Fever" dos BeeGees, inúmeros jovens inundavam as pistas de dança das nascentes "discotecas" para abanarem os corpos ao ritmo do beat a 120 bpm. O filme retratava também o sexo promíscuo dos frequentadores de discotecas na era pré-SIDA, e com este filme o sexo descomprometido do final dos anos 60 entrou numa nova era de industrialização, ligando-se de modo definitivo á música. 

A juventude, naturalmente, aderiu em massa.



Isto só podiam ser más notícias para a Sociedade Torre de Vigia, que, muito preocupada com a saúde espiritual dos seus adolescentes com as hormonas em efervescência e os corpos em brasa, se apressou a condenar fortemente o Disco Sound e as discotecas.

Assim, numa série de artigos publicado na Despertai! de 22 de Março de 1979, com o tema de capa "Disco - Is it For You?" ("Disco - É para si?"), a Organização zurziu forte e feio no Disco Sound e na cultura das discotecas. Recordo-me que eu, ainda adolescente, sabia de jovens que eram convocados para comissões judicativas porque se sabia que frequentavam discotecas. Lembro-me de uma frase que nesta altura começou a fazer escola nas congregações: "A noite é a parte do dia mais perigosa para os cristãos". A simples visita a uma discoteca dava direito á perda de quaisquer "privilégios" na congregação e imediatamente a pessoa era rotulada de "má companhia".




Repararam na semelhança do cantor com Barry Gibb dos BeeGees e da dançarina com Donna Summer do hit "Love to Love You Baby" (1975) e "I Feel Love" (1977), de Giorgio Moroder? Bom, não foi por acaso ... Smile (nunca é por acaso, com a Watchtower ... as mensagens subliminais estão lá de propósito....)

A revista continha artigos tais como: (Estou a traduzir da versão inglesa, a versão portuguesa pode diferir um pouco na linguagem):

"A Febre do Disco Varre o Mundo"
"Quais são as suas origens?"
"O Tipo De Lugares Que As Discotecas São"
"Como Os Cristãos Devem Encarar O Disco"

Em particular, a Organização recorreu a uma falácia conhecida como "Falácia de Associação", em que uma coisa ou pessoa é denegrida ao ser falsamente associada com outra coisa ou pessoa negativa. Neste caso, a Organização associou o Disco Sound e as discotecas ao homossexualismo e ao movimento gay. E, á boleia das raízes africanas do beat, também procurou associar a dança do Disco Sound ao ocultismo e aos rituais de fertilidade

Hmmm, pois, típico...

Naturalmente, tratando-se de um movimento muito popular, a Organização foi inundada de cartas de protesto de jovens Testemunhas e cartas de pais e anciãos preocupados. Assim, foi preparado um segundo artigo da Despertai! para responder ás objeções. Foi publicado na edição de 22 de Dezembro de 1979 (em inglês). E é lá que se encontra o dito discurso do saxofonista / músico / produtor / ancião TJ Benny Golson. Afinal, quem melhor de que um músico para comentar a respeito de música, pensou a Watchtower?

Julgo que descobri esse artigo num volume encadernado da Despertai na biblioteca do meu Salão do Reino, ainda nem tinha 20 anos, e a leitura do artigo deixou-me perturbado e com uma sensação de que alguma me incomodava profundamente ali. Tanto que, passados tantos anos, fui á procura do artigo, e encontrei-o. E lá está, o que me perturbou foi a desonestidade intelectual do artigo bem como o seu odioso e desavergonhado tom homofóbico.

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Ora, o que conta o senhor Benny Golson?

Conta que, após ler o artigo acerca do Disco Sound, também pensou em escrever á Sociedade uma carta de protesto. Ele diz:

"[O artigo] perturbou-me. A ideia de que os homossexuais estavam por detrás do Disco [sic] era completamente absurda. No entanto, decidi fazer a coisa sábia e (...) olhar mais atentamente para a indústria da qual eu fazia parte. Quando o fiz, sofri abalo atrás de abalo." 

"Um amigo meu, Testemunha, tinha acabado de gravar um álbum para uma grande empresa discográfica em Los Angeles; o conceito, no entanto, não era Disco. Um homossexual na companhia começou a fazer "ondas" e insistiu em [re-misturar as pistas em Nova Iorque para dar uma sonoridade mais Disco Beat], tudo isto contra a vontade do meu amigo Testemunha. Quando chegaram ao estúdio em Nova Iorque, o homossexual de Los Angeles foi recebido por dois outros homossexuais que o esperavam. O meu amigo Testemunha teve de sair por várias vezes do estúdio para não "explodir". No final do dia, a re-mistura não saíu como esperado e ele pôde editar o álbum com a mistura original".

"Um conhecido meu, não-Testemunha, recentemente enfrentou problema idêntico com outra grande gravadora. Ele tinha acabado um álbum (não-Disco) para um grupo popular já há muitos anos, e a gravadora não gostou da mistura. Também eles quiseram que ele fosse a Nova Iorque, onde os homossexuais aguardavam."

"O manager de um artista conhecido meu disse que há um 'probleminha com o Disco' em Nova Iorque por estes dias. Isto acontece porque os homossexuais, que uniram esforços, estão a tentar forçar os DJ's a passarem musica da preferência homossexual. Os DJ's não gostam da pressão e tentam resistir até certo ponto. Mas o público, naturalmente, está a pedir Disco."

(...)

"É verdade que certos tipos de dança não são objectáveis em si mesmos. Porém, quando a música e a dança estão ligados a contextos questionáveis e nebulosos, o cenário altera-se dramaticamente. A bíblia diz "Fugi da fornicação" (! Cor 6:18) (...) Muitos dos que professam ser cristãos caíram vítimas deste tipo de desejo. O que aconteceu? Eles deixaram o seu coração ser "preparado" para isso. Deixaram que fossem conduzidos passo a passo aos efeitos desse tipo de desejos - e cometeram fornicação. Esse desejo de "ir na onda" tem sido a perdição de muitos, simplesmente porque parecia tão inofensivo e divertido no início. (...) Estou tão contente que não escrevi aquela carta á Sociedade Torre de Vigia! (...) Agora vejo que fui algo ingénuo."

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O artigo tem mais algumas "pérolas" do senhor Golson, mas o objectivo da Sociedade era claro: assustar os adolescentes TJ's. Cuidado! Há uma conspiração de homossexuais por detrás do Disco Sound e das discotecas. Quem frequenta discotecas ao som do Disco Sound está a fazer entrar demónios pelos ouvidos e vai acabar virando homossexual!

Reparem como coisas que são normalíssimas na indústria da música: re-misturas para fazer uma música mais "dançável", mais "amiga da rádio", ou com um som mais na moda e com maior apelo (logo, com maior potencial de venda) são transformados numa sinistra conspiração para transformar os consumidores do Disco Sound numa espécie de zombies gay. Os intervenientes não são tratados nem pelos seus nomes, nem pelas suas funções (produtores, técnicos de gravação ou de masterização), e sim por "homossexuais", numa clássica técnica de propaganda que consiste em desumanizar o adversário.

O homossexualismo frequentemente não é uma questão de escolha de estilo de vida ou opção sexual; provavelmente na maioria dos casos trata-se de uma orientação que já nasce com a pessoa. A sociedade tem evoluído; passou-se da abominação para a intolerância, da intolerância para a tolerância, e da tolerância estamos a caminhar para a aceitação. A noção de que ir a uma discoteca e ouvir ou dançar ao ritmo de um determinado estilo de música pode converter um heterossexual em homossexual não só é ridícula, como é parte de uma propaganda que já não tem cabimento no mundo actual, e não condiz com os valores mais altos da humanidade.

Não me cabe a mim fazer a defesa da orientação sexual LGBT, até porque sou hetero; no entanto, ao revistar este artigo que me incomodou há muitos anos, senti-me mais uma vez incomodado, com o ódio que esta Organização ensina aos seus membros. E que continua a ensinar. E pena, que um músico talentoso como Benny Golson, se tenha prestado a fazer um tão reles serviço á Watchtower.

Eden


Última edição por EdenOne em Ter Ago 08 2017, 09:18, editado 6 vez(es)


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Re: Benny Golson - um exemplo da ridícula homofobia das Testemunhas de Jeová

Mensagem por Altar em Seg Ago 07 2017, 09:32

EdenOne escreveu:

O homossexualismo frequentemente não é uma questão de escolha de estilo de vida ou opção sexual; provavelmente na maioria dos casos trata-se de uma orientação que já nasce com a pessoa...


alguns sim, mas a mim dá-me a impressão que cada vez há mais, não sei porquê



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Re: Benny Golson - um exemplo da ridícula homofobia das Testemunhas de Jeová

Mensagem por HALDYS em Ter Ago 08 2017, 07:46

antigamente os artigos das revistas eram mais contundentes, hoje os artigos são mais politicamente correctos. Estou a referir me à maneira como se fala das coisas (à forma), quanto ao fundo sim mantém-se a mensagem de repúdio ao estilo homossexual que se nota na moda, na musica... Eu procurei um artigo em que se "desculpasse" a tendência homossexual pois creio que não há uma escolha, logo não se pode obrigar alguém a ser o que não é inclinado a ser.Mas não há "desculpabilização"
Quem quer adorar a Deus e tenha tendenciais homossexuais apenas pode ser um homossexual nao praticante. A Biblia é mesmo muito intransigente.
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Re: Benny Golson - um exemplo da ridícula homofobia das Testemunhas de Jeová

Mensagem por EdenOne em Ter Ago 08 2017, 09:35

O Cristianismo, sobretudo a corrente mais fundamentalista, na qual se enquadram as Testemunhas de Jeová, é profundamente homofóbico. Mas, no fundo, limita-se a fazer eco do homofobismo da própria Bíblia. Não creio que alguma vez essa atitude vá mudar, apesar de uma maior compreensão do fenómeno e do discurso mais politicamente correcto, pelo menos para os de fora da Organização.


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Re: Benny Golson - um exemplo da ridícula homofobia das Testemunhas de Jeová

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