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DISSONÂNCIA COGNITIVA – O papel que desempenha no cativeiro á religião e na sua libertação.

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DISSONÂNCIA COGNITIVA – O papel que desempenha no cativeiro á religião e na sua libertação.

Mensagem por EdenOne em Sab Abr 16 2016, 12:22

PARTE I

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O QUE É UMA TEORIA

Antes de falar sobre a Teoria da Dissonância Cognitiva, é preciso estabelecer um ponto prévio: Em ciência, o termo TEORIA não é uma mera hipótese, conjectura ou especulação. Pelo contrario, “teoria” é um tipo bem confirmado de explicação da natureza, feita de uma maneira consistente com o método científico, de acordo com critérios objectivos bem estabelecidos. Essa teoria é formulada de tal modo que pode ser verificada e suportada por dados empíricos; por outro lado, o aparecimento de novos dados empíricos pode mais tarde confirmar ou refutar essa teoria; esses dados poderão obrigar á reformulação da teoria ou ao seu abandono. As teorias científicas são o tipo de conhecimento científico mais confiável, rigoroso e abrangente.

Nas conversas do dia-a-dia, o termo “teoria” é com frequência incorrectamente utilizado. Por exemplo, alguém pode estar convicto de que os governos do mundo nos escondem a verdade sobre a existência de extra-terrestres. Alguém pode dizer então: “Isso é a sua teoria. Mas onde estão os factos?” Na realidade, o que foi enunciado não é uma teoria. É uma hipótese, uma conjectura ou uma especulação, que tanto pode ser sustentada por alguns factos empíricos bem estabelecidos, como ser o produto da imaginação ou de logro propositado. Mas não se trata de uma teoria no sentido científico do termo. O oposto de teoria não é um “facto”; o oposto da teoria é o “dogma”.

Com isto em mente, vamos ver como a Teoria da Dissonância Cognitiva permite explicar como religiões como as Testemunhas de Jeová mantêm os seus crentes cativos no seu interior, e como essa mesma teoria explica como alguém pode libertar-se desse cativeiro mental.


A TEORIA DA DISSONÂNCIA COGNITIVA



Leon Festinger formulou a teoria da dissonância cognitiva


Em 1957, o psicólogo social Leon Festinger propôs a teoria da Dissonância Cognitiva. Segundo esta teoria, o cérebro humano esforça-se, não tanto por procurar a verdade, mas por manter a consistência interna nas suas cognições. Ou seja, o cérebro tenta por todos os meios resolver conflitos internos entre ideias conflituantes (dissonantes), porque manter ambas as ideias simultaneamente causa desconforto e sofrimento.

(Para percebermos o que é dissonância basta lembrarmos como o nosso cérebro reage quando ouvimos uma viola desafinada, ou um acorde de piano com uma nota que “não pertence”. O nosso cérebro reage como se tivesse sido agredido. Sente-se desconfortável e fica em sofrimento.)

Esta teoria assenta em duas traves-mestras:

1. A existência de dissonância – ou inconsistência – sendo psicologicamente desconfortável, motiva a pessoa a tentar reduzir ou eliminar a dissonância e tentar atingir a consonância - ou consistência – interna.

2. Quando a dissonância ocorre, alem de procurar reduzir a inconsistência, a pessoa procura activamente evitar situações e informações que podem levar ao aumento da dissonância.

A redução da dissonância pode ser conseguida através de: mudança de comportamentos; mudança do pensamento; aquisição selectiva de novas informações e opiniões.

Leon Festinger usou o exemplo de um fumador que sabe que fumar é um hábito nocivo para a saúde. O conflito entre duas cognições inconsistentes (eu gosto de fumar versus fumar faz mal á saúde) causa dissonância. O fumador pode reduzir a dissonância por mudar o comportamento (parar de fumar), mudar os seus pensamentos acerca de fumar (fumar não é assim tão mau para a saúde como dizem), ou por seleccionar informações e opiniões que validem o seu gosto por fumar (fumar é um habilitador social; fumar ajuda a controlar o peso).

Nós formulamos as nossas cognições acerca do que gostamos ou não gostamos, cremos ou não cremos, fazemos ou deixamos de fazer, em grande parte nas nossas reacções subconscientes aquilo ou a quem essas cognições estão ligadas. Isso explica porque as crianças tendem a imitar os valores dos seus pais e adultos mais próximos: porque os seus pais lhes dão amor e protecção, aquilo que os seus pais dizem e fazem torna-se automaticamente aceite e valioso. Por exemplo: O meu pai gosta do clube XPTO. O meu pai gosta de mim (sentimento de conforto) e eu gosto do meu pai (desejo de aprovação). Logo, eu gosto do clube XPTO. As cognições alinham-se em consonância. Outro exemplo: A minha mãe detesta a vizinha. A minha mãe ama-me e quer o melhor para mim (sentimento de conforto), e eu não a quero decepcionar (desejo de aprovação). Logo, eu não gosto da vizinha. Novamente, as cognições alinham-se em consonância.

Isto também explica porque líderes e celebridades são influências tão poderosas na sociedade: Eles dão-nos algo que nós gostamos (heróis do desporto, da música, da comunicação...) e inconscientemente nós adoptamos os seus valores como nossos. Estamos então susceptíveis a sermos manipulados por campanhas de marketing e publicidade onde essas pessoas que admiramos promovem determinados produtos, serviços, e ideias, aos quais nós tendemos a aderir emocionalmente e adoptar como sendo os nossos próprios desejos e preferências.

Na parte seguinte irei mostrar como a dissonância cognitiva é um instrumento que é usado pelas religiões (no caso particular, com o foco nas Testemunhas de Jeová) para manter os seus membros mentalmente cativos.

(Continua...)

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Re: DISSONÂNCIA COGNITIVA – O papel que desempenha no cativeiro á religião e na sua libertação.

Mensagem por TJ esclarecido em Sab Abr 16 2016, 19:28



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Re: DISSONÂNCIA COGNITIVA – O papel que desempenha no cativeiro á religião e na sua libertação.

Mensagem por hocosi em Sab Abr 16 2016, 20:26

Excelente matéria EdenOne.
A teoria da Dissonância Cognitiva é uma teoria de pontos cegos; de como as pessoas intencionalmente deixam de enxergar aquilo que lhes desagrade, para que não notem eventos e informações vitais capazes de questionar seus comportamentos e convicções. E somos tão alheios aos nossos pontos cegos quanto o peixe é alheio à água onde nada.

Por isso é muito difícil uma Testemunha de Jeová convencer um católico ou de outra qualquer religião de que está enganado. De mesma maneira é muito difícil fazer ver a uma Testemunha de Jeová ativa e convicta de que está a ser manipulada mentalmente. Mesmo que lhe apresentemos provas concretas das mentiras e artimanhas da Organização, ela sempre vai arranjar uma desculpa e uma explicação para o caso. Podemos forjar livros, dar entrevistas na televisão, fazer campanhas publicitárias para expor os erros doutrinais e comportamentais da Organização, as pessoas arranjaram uma desculpa para se acomodar e permanecer.




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Re: DISSONÂNCIA COGNITIVA – O papel que desempenha no cativeiro á religião e na sua libertação.

Mensagem por EdenOne em Sab Abr 16 2016, 23:39

PARTE II

COMO A DISSONÂNCIA COGNITIVA MANTÉM A PESSOA CATIVA

Todos nós, em maior ou menor grau, somos passíveis de ser manipulados - mesmo que alguém seja inteligente, cauteloso e naturalmente incrédulo. Isso acontece porque os nossos cérebros têm mecanismos comuns que podem ser explorados em nosso detrimento por aqueles que os conhecem. Conhecer e compreender os truques utilizados por grupos especialistas em manipulação, sejam eles agências de publicidade, propagandistas políticos, ou religiões, pode ajudar-nos a evitar ser manipulados, ou a reconhecer quando estamos a ser manipulados e sair desse laço.

O meu objectivo aqui não é tecer considerações acerca de como alguém vem a estar sob a influência de um grupo religioso do tipo culto manipulador, como são as Testemunhas de Jeová. Há duas vias principais de entrada – a via do recrutamento externo, e a via do ‘nascer dentro do grupo’. Interessa aqui discutir como o grupo mantém as pessoas mentalmente cativas, especialmente quando (paradoxalmente) se trata de pessoas que aparentam ser objectivas, ancoradas na realidade, rejeitando ilusões e tomando decisões racionais, mas que têm a sua percepção distorcida e manietada.

Conforme escrevi, o estado de dissonância cognitiva ocorre quando um indivíduo entra num estado de tensão mental por manter duas cognições (ideias, crenças, atitudes, memórias) que são psicologicamente inconsistentes entre si. Este estado de desconforto ou sofrimento mental motiva-nos então a procurar reduzir o nível de dissonância, ou a evitar informação e situações que aumentem essa dissonância. Como este processo é usado pela liderança da Watchtower Society  para manipular as Testemunhas de Jeová a permanecerem mentalmente reféns da religião?

--------------

Por exemplo, temos uma cognição que “Deus é amor”, e que Jeová é a própria personificação do amor. No entanto, ao ler o Antigo Testamento, somos confrontados com a ordem de extreminar os Cananeus, homens, mulheres, velhos e crianças, e animais. E somos confrontados com duas cognições psicologicamente inconsistentes: Deus é amor versus Jeová mandou extreminar homens, mulheres, velhos e crianças sem piedade. Neste momento, experimentamos uma dissonância cognitiva e o nosso cérebro vai procurar resolver esta inconsistência. Pode fazer isso por vários métodos:

    1. Mudar o comportamento (rejeitar o relato da Bíblia)
    2. Mudar o pensamento acerca de Jeová (afinal Deus pode ser mau)
    3. Evitar o assunto. (Não quero falar sobre isso)
    4. Seleccionar informações que confirmem a nossa cognição favorita[/list] (Deus é amor; ele enviou o seu Filho para nos salvar; Deus não quer a  destruição dos iníquos; Deus dá avisos antes da destruição)
    5. Recondicionamento (em inglês: repackaging) transformar qualquer condição abonatória dos cananeus em algo mau. (se Jeová ordenou o extremínio dos cananeus é porque eles eram certamente incorrigíveis e mereciam a morte; inclusivamente Deus leu o coração dos velhos e das mulheres que não podiam guerrear e viu que eram idolatras e fornicadores incorrigíveis. E quanto ás crianças “inocentes”, Deus certamente usou o seu poder de presciência para determinar que elas iriam crescer e desencaminhar o seu povo por leva-los á idolatria e á imoralidade. Nenhum Cananeu é “inocente” ou “bom” porque eram instrumentos de Satanás. Deus é infinitamente justo e nunca destruiria alguém sem que tal pessoa o merecesse inteiramente.)

Os métodos de resolução da dissonância 1) e 2) são problemáticos, uma vez que as ideias não existem isoladamente e se relacionam com outras ideias em vastas redes cognitivas. Por exemplo, rejeitar a Bíblia levantaria outras dissonâncias cognitivas potencialmente ainda maiores (não posso seleccionar as partes da Bíblia que mais gosto e recusar outras; se este relato não é verdade, então o que dizer de outros relatos? Como posso recusar este relato e continuar a crer que a Bíblia é a palavra de Deus?). Por outro lado, concluir que Deus pode ser mau é também problemático (então Deus não é infinitamente bom? Deus pode cometer injustiças e a iniquidades?). Mais uma vez, as resoluções 1) e 2) levam potencialmente a dissonâncias cognitivas ainda maiores, e são em geral evitadas pelas Testemunhas de Jeová.  Para facilitar a vida aos crentes, as publicações do Corpo Governante fornecem as respostas pré-preparadas, que resolvem a dissonância cognitiva sem que a Testemunha de Jeová tenha de perder muito tempo a racionalizar e a resolver o conflito psicológico. (Respostas 4 e 5). Quando confrontado por um céptico da Bíblia acerca deste dilema moral, a Testemunha procura evitar o assunto, até mesmo retirando-se da discussão (resposta 4) se o céptico insistir no ponto. Não é de todo insignificante aqui o peso que tem a opinião do Corpo Governanto, o “Escravo Fiel e Discreto”. Tal como um pai ou uma estrela da música, os membros do “Escravo” usam a manipulação emocional (somos os porta-vozes de Jeová; somos os “irmãos de Cristo”; somos orientados pelo Espírito Santo) para demandar implícitamente a obediência e aceitação acrítica por parte das Testemunhas de qualquer coisa sobra a qual eles opinem.

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Vejamos outro exemplo.

Suponhamos que uma Testemunha de Jeová é confrontada com os escândalos de pedofilia dentro da Organização. Isto provoca uma violenta dissonância cognitiva entre duas ordens de cognições: Por um lado, as Testemunhas de Jeová são a Organização que Jeová usa, e Ele é puro e perfeito e não tolera a impureza, e a sua Organização é perfeita; por outro lado existem muitos casos de pedofilia entre as Testemunhas de Jeová e as autoridades acusam a Organização de escondere  não lidar devidamente com esses casos de acordo com a lei. Estas duas cognições são obviamente inconsistentes e as Testemunhas de Jeová procuram resolver essas inconsistências recorrendo á negação (são mentiras espalhadas por inimigos da Organização; são exageros, não existem assim tantos casos; são invenções; as Testemunhas estão a ser perseguidas pelos agentes do Diabo) ou á minimização (são apenas um punhado de casos que estão a ser empolados pelos media; os homens que lidaram mal com esses casos não fizeram as coisas como a Organização determina; ainda estamos a aprender a lidar com estes casos; ainda existe muita imperfeição e temos de esperar que Jeová refine as coisas) ou recondicionamento (as alegadas vítimas querem vingar-se da Organização; os que foram abusados sexualmente na realidade consentiram nisso; as alegadas vítimas de abuso procuram dinheiro e protagonismo á custa da Organização; as alegadas vítimas estão a ser usadas pelos apóstatas para prejudicar a Organização). Novamente, quando confrontada insistentemente por críticos e lhe são apresentadas evidências que provam as acusações, as Testemunhas de Jeová normalmente evadem-se á discussão, por forma a evitarem mais e maior dissonância cognitiva, e procuram isolar-se de futuro contacto com críticos ou material que aborde o assunto do abuso sexual de crianças entre as Testemunhas de Jeová. Mais uma vez, o Corpo Governante incentiva este comportamento por repetidamente instar com as Testemunhas a que não dêm ouvidos a “campanhas de difamação” ou a “notícias falsas e sensacionalistas” que são “promovidos por Satanás e pelos apóstatas.”

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Mas há outros aspectos em que a dissonância cognitiva joga um papel.

Não é por acaso que as Testemunhas de Jeová não aceitam que alguém se torne membro baptizado num impulso momentâneo de emoção. Ao contrario, o novo recruta tem de primeiro passar por um mais ou menos prolongado estudo bíblico domiciliar, que vai durar entre seis meses a um ano ou mais e durante o qual se espera que o Estudante da Bíblia faça sérias transformações na sua vida, abandonando a sua filiação religiosa enterior, adoptando um estilo de vida “moral”, ás vezes sendo obrigado a legalizar o matrimónio ou deixar um companheiro descrente, deixando hábitos “sujos” como o alcoolismo, tabaco, drogas ou jogatina, e distanciando-se de amigos e familiares “mundanos”. A dureza e a duração inusitada deste processo vai fazer com que o estudante, agora baptizado, vá racionalizar que a religião a que agora pertence é de muito valor.

O estudo de E. Aronson e J. Mills (1959) intitulado “O efeito da severidade da iniciação na apreciação de um grupo” demonstrou que quanto maior é a atribulação ou a dor experimentada para se conseguir algo, resulta em maior apreciação ou valor atribuído a isso, do que aqueles que não passaram por dificuldades em consegui-lo. Os resultados das experiências de Aronson e Mills mostraram que aqueles que se submeteram a uma iniciação mais severa e penosa mostraram mais apreciação pelo grupo do que aqueles que tiveram uma iniciação mais branda ou não tiveram qualquer iniciação. A severidade da iniciação criou uma dissonância entre a desagradável experiência necessária para entrar no grupo e a cognição de que há coisas no grupo de que não gosta. Para resolver esta dissonância, os participantes podiam optar entre desvalorizar a importância do que penaram para entrar no grupo ou exagerar a importância da sua apreciação pelo grupo.  Sendo que era difícil, senão impossível, negar ou diminuir as dificuldades da iniciação, os participantes na experiência invariavelmente resolveram a sua dissonância cognitiva por expressarem mais apreciação pelo grupo do que os outros que não tiveram dificuldades de maior na iniciação ou que não passaram por ela.  O condicionamento das Testemunhas de Jeová a amarem a “Organização” começa no próprio processo do Estudo da Bíblia e da “transformação” a que têm de se sujeitar para se tornarem num “ministro ordenado e baptizado”. Ninguém gosta de admitir que deu o seu tempo e esforço por mal empregue a favor de uma organização que não valia a pena o esforço. Esse é um dos motivos de as Testemunhas de Jeová serem tão ferrenhas defensoras da “Organização”.

(Continua...)

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Re: DISSONÂNCIA COGNITIVA – O papel que desempenha no cativeiro á religião e na sua libertação.

Mensagem por SenorRodriguezG em Dom Abr 17 2016, 00:17

Excelente post como sempre EdenOne Smile

Só tenho é de dizer que não concordo totalmente com esse parágrafo

Nas conversas do dia-a-dia, o termo “teoria” é com frequência incorrectamente utilizado. Por exemplo, alguém pode estar convicto de que os governos do mundo nos escondem a verdade sobre a existência de extra-terrestres. Alguém pode dizer então: “Isso é a sua teoria. Mas onde estão os factos?” Na realidade, o que foi enunciado não é uma teoria. É uma hipótese, uma conjectura ou uma especulação, que tanto pode ser sustentada por alguns factos empíricos bem estabelecidos, como ser o produto da imaginação ou de logro propositado. Mas não se trata de uma teoria no sentido científico do termo. O oposto de teoria não é um “facto”; o oposto da teoria é o “dogma”.

O termo "teoria científica" foi bem explicado, agora a palavra teoria tem diversos significados e sinónimos que podem até implicar um carácter especulativo ou hipotético (confirmei isso agora mesmo no meu dicionário), por isso a sua utilização no dia-a-dia para descrever um conhecimento especulativo, uma construção imaginária ou um conjunto sistemático de opiniões (como por exemplo: a teoria dos ancient aliens) está correto.

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Re: DISSONÂNCIA COGNITIVA – O papel que desempenha no cativeiro á religião e na sua libertação.

Mensagem por EdenOne em Dom Abr 17 2016, 00:26

@SenorRodriguezG escreveu: agora a palavra teoria tem diversos significados e sinónimos que podem até implicar um carácter especulativo ou hipotético (confirmei isso agora mesmo no meu dicionário), por isso a sua utilização no dia-a-dia para descrever um conhecimento especulativo, uma construção imaginária ou um conjunto sistemático de opiniões (como por exemplo: a teoria dos ancient aliens) está correto.

Ambos concordamos. No dia-a-dia o termo "teoria" é corriqueiramente aplicado a conhecimento do tipo especulativo e isso não está necessariamente errado. O que é errado é depois retroverter isso para aplicar ao conhecimento científico. Por exemplo:

"A teoria da evolução não está comprovada. Por isso é que lhe chamam apenas isso: uma teoria." - como se se tratasse de mera conjectura ou especulação. Quando na realidade está solidamente fundamentada em factos científicos empiricamente comprovados vez após vez. Esse é o uso errado do termo "teoria".

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Última edição por EdenOne em Dom Abr 17 2016, 00:34, editado 1 vez(es)


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Re: DISSONÂNCIA COGNITIVA – O papel que desempenha no cativeiro á religião e na sua libertação.

Mensagem por SenorRodriguezG em Dom Abr 17 2016, 00:33

Exato EdenOne, é isso mesmo, assim fica mais claro.
O ponto-chave é distinguir a palavra do termo, e a palavra pode ter diversos significados. Por isso até mesmo a palavra "facto" pode ser um antónimo bem aplicado.

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Re: DISSONÂNCIA COGNITIVA – O papel que desempenha no cativeiro á religião e na sua libertação.

Mensagem por Índigo em Seg Abr 25 2016, 00:08

Endone

Excelente artigo. . . Queremos mais ... ☺


Vamos trabalhar juntos para manter neste fórum um ambiente limpo e amigável. Bons comentários!

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Re: DISSONÂNCIA COGNITIVA – O papel que desempenha no cativeiro á religião e na sua libertação.

Mensagem por Maer em Ter Abr 26 2016, 17:08

Quando a Bíblia menciona em 1 Coríntios 15:33 : " Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes."(ACF) na verdade já fica subtendido que "todos" os humanos sofrem influência do meio  em que vive. Na verdade, segundo Piaget e Vygotsky, apesar de divergirem na forma - para Vygotsky, o desenvolvimento é um processo que se da de fora para dentro, já para Piaget, o desenvolvimento se da de dentro para fora - ambos  apresentam na sua teoria aspectos  construtivista, ou seja, o nosso desenvolvimento desde que nascemos sofre influência do meio em que vivemos.Fica evidente como ser em construção, pois nunca estaremos prontos, vamos nos comportar de acordo com as nossas  percepções e não de acordo com a realidade, ou seja, reagimos conforme aquilo que é confortável ou não com as nossas  cognições.Isso, vale também para os apóstatas, não só para a religião, na verdade vale para todos.
    Quanto à definição de teoria recai-se a percepção de que nenhuma teoria pode ser colocada como verdade absoluta, mesmo que aceita hoje, pode ser alterada ou até mesmo abandonada amanhã.Portanto, àqueles que vendem a ideia de que "Teoria" é algo comprovado estão completamente equivocados, pois são conceitos baseados em pesquisas e aceitos no meio cienctíco e/ou acadêmico, mas nunca a verdade absoluta.




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Re: DISSONÂNCIA COGNITIVA – O papel que desempenha no cativeiro á religião e na sua libertação.

Mensagem por EdenOne em Ter Abr 26 2016, 22:48

@Maer escreveu:Quanto à definição de teoria recai-se a percepção de que nenhuma teoria pode ser colocada como verdade absoluta, mesmo que aceita hoje, pode ser alterada ou até mesmo abandonada amanhã.Portanto, àqueles que vendem a ideia de que "Teoria" é algo comprovado estão completamente equivocados, pois são conceitos baseados em pesquisas e aceitos no meio cienctíco e/ou acadêmico, mas nunca a verdade absoluta.

Em ciência não há 'verdades absolutas e inquestionáveis'. Todo o conhecimento pode ser validado, refutado ou desenvolvido com base em novas evidências factuais. É essa a natureza do conhecimento científico. É dinâmico, nunca cristaliza. As verdades absolutas e imutáveis pertencem ao domínio do dogma religioso, porque não se baseiam em evidência comprovável e escrutinável, mas em especulação e credulidade, á mistura com autoritarismo. Se achas que uma "teoria" é um mero 'conceito', como se fosse apenas uma idéia, uma formulação hipotética, então tens todo um trabalho de casa para fazer antes de poderes tecer considerações ridículas e mal informadas sobre a ciência e o mètodo científico.

Um exemplo? A "teoria geral da relatividade" de Einstein versus o relato de Gênesis da criação; onde o escritor supostamente inspirado pelo Criador afirma que as plantas vieram á existência antes de haver luz do sol (não podendo ocorrer a fotossíntese, e a luz das estrelas não basta para a fotossíntese se produzir, e sem fotossíntese, as plantas não podem viver...) e a lua é chamada - em pè de igualdade com o Sol - de luzeiro que  ilumina a noite, quando na realidade não tem luz própria mas a sua superfície apenas reflete a luz do Sol... Qual dos dois conhecimentos está ancorado em realidades factuais? A "teoria" de Einstein....ou a dogmática "verdade absoluta" de Gênesis? Diz lá ...

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Re: DISSONÂNCIA COGNITIVA – O papel que desempenha no cativeiro á religião e na sua libertação.

Mensagem por Kristy123 em Ter Maio 17 2016, 22:40

Olá,

Ainda vai haver uma Parte III  ???
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Re: DISSONÂNCIA COGNITIVA – O papel que desempenha no cativeiro á religião e na sua libertação.

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