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A ideologia de género

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A ideologia de género

Mensagem por mjp em Ter Mar 18 2014, 19:42

“A ideologia de gênero é uma construção ideológica que vai apresentar ao mundo e a todas as pessoas que o ser humano não tem uma unidade a respeito do que é seu ser biológico, seu ser sexual e sua identidade sexual”.  

Contém vídeo com entrevista
http://destrave.cancaonova.com/ideologia-de-genero-e-a-crise-da-identidade-sexual/


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Re: A ideologia de género

Mensagem por mjp em Qui Abr 03 2014, 10:49

Quando aqui coloquei este tópico, em virtude de ter sido apanhado de surpresa na leitura de alguma literatura de cordel na qual tenho o hábito de tentar balizar algumas das minhas tão mal concebidas e, por isso, mal recebidas opiniões, deparei-me com um enorme problema: é que na WEB, a esmagadora maioria de referências e artigos de opinião a este respeito têm o cunho da famigerada icar (letrinha muito pequenininha para não perturbar alguns espíritos mais sensíveis) e, em virtude disso, tenho tido alguma dificuldade em trazer ao fórum alguma documentação onde este assunto é debatido.

Considero no entanto que, pelo menos para alguns foristas ( sei lá quantos... talvez mesmo nenhum), este assunto poderá ter algum interesse, em virtude de outros tópicos que aqui se têm também aberto, e em que eu tenho manifestado séria preocupação em relação àquilo a que já muitos chamam, como eu, a "ditadura do relativismo".

Colhi então este comentário que, apesar de ter algum cunho moralista, ético, sociológico, político, jurídico e filosófico, poderia servir de referência para uma reflexão sobre este assunto que parece estar a crescer com alguma força no Brasil. Talvez algum forista brasileiro me (nos) possa trazer mais alguma informação a este respeito.

Eis o comentário que a mim, me pareceu bem concebido:

Estamos sendo, de forma compulsória, engolidos por ideologias e, principalmente hoje, ideologias de gênero e de que drogas como a maconha fazem bem a saúde.

O próprio nome ideologia já contradiz estes argumentos e comprova que se trata de “falácias”. Mas, para não ser massacrada pela ditadura ativista ideológica, principalmente de gênero, vamos buscar na sociologia encontrar no comunista Karl Marx o seu sentido.

Para Karl Marx (...) o tão venerado e adorado mestre dos revolucionários, ideologia era uma “falsa consciência” e não um conjunto de ideias. E o “falso” discurso vê as coisas não como elas são de fato, mais de maneira invertida, de maneira diferente e deturpada. Isso serve para tudo, mas aqui vou me ater à sexualização como forma de prazer.

“Ideologia da cultura sexual”.

Os discursos sobre essa ideologias são como o “discurso da prostituta” que diz que a coitada é prostituta porque não estudou ou porque não teve capacidade. Para o marxismo esse é um discurso ideológico porque inverte a realidade; e qual seria, neste contexto, a realidade? Ela não é prostituta porque não estudou, e sim porque ela não teve oportunidade de estudar ou trabalhar em outra função, está mais próximo disto do que da falta de mérito ou esforço, por exemplo.

São discursos que invertem; neste contexto podemos citar a realidade da indústria cultural, que é hoje a principal difusora de ideologias de falsas consciências; a indústria cultural propaga, por exemplo, mentiras de que eu tendo bens materiais, carros, dinheiro e fazendo viagens serei mais feliz. Associa o carro e outros bens materiais com felicidade. E o mesmo acontece com o fetiche sexual, que associa a felicidade exclusivamente ao prazer sexual, reduzindo o ser humano a um animal que vive em busca de “gozo sexual”, entendendo que é a única forma de liberdade e de felicidade. Isso é uma falsa ideologia, uma falsa consciência da realidade que atribui ao “ser mercadoria” um caráter que ele não tem. Estas ideologias geram em nós uma frustração programada, pois, com o tempo, tanto o “sexo” quando as “coisas” deixam de ter importância e a infelicidade volta a reinar por não ter sido verdadeira e sim uma “Falsa Verdade”, uma visão falsa da realidade humana.


A mentira ideológica da pluralidade sexual está, de forma compulsória e normativa, através de uma manipulação metafísica e ideológica, transformando a educação sexual no Brasil para resolver de forma “falsa” os problemas sociais que intelectuais potencializados por relativistas e ativistas ideológicos apontam.  Se a sociedade e os políticos não enfrentarem esta imposição de forma critica e sem medo a indústria cultural mediática, os problemas de preconceito não se resolverão e sim, retornarão em forma de problemas ainda mais graves que o preconceito que se pretende resolver.

Moral da história: ao longo da nossa construção de pensamentos, teorias e ideias, não podemos ser intelectualmente desonestos. Coisas não são mais importantes que pessoas, e sexo é apenas uma parte do ser humano. Podemos e devemos viver sem preconceito, mas não podemos impor a uma criança uma fantasia de sexo plural como forma de felicidade, pois estaremos mudando a natureza das coisas, o curso da história, e veremos num futuro bem próximo o retorno forma de mais problemas sociais gerados pelas relações conflitantes que se desenvolveram. O ser humano não é tecnologia; o ser humano não pode ser resolvido com tecnologia e sim com amor e direitos.


Que direitos as crianças têm de viverem em harmonia em paz consigo mesmas, se querem interferir de forma artificial nesta natureza?


Isso não é uma questão de raça ou direitos iguais, isso é uma tentativa de reorientação sexual para apenas servir a um grupo.

http://colunas.gospelmais.com.br/ideologia-de-genero-e-falacia-segundo-o-proprio-marxismo_9120.html
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Re: A ideologia de género

Mensagem por Ana Cláudia em Qui Abr 03 2014, 16:58

mjp, desculpa-me(!!!) a senhora que escreveu isto, Marisa Lobo, é uma ultra conservadora, religiosa (parece que Evangélica) que acha que a Homossexualidade tem cura pela fé... basta ver o facebook da senhora AQUI.




Ana Cláudia
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Re: A ideologia de género

Mensagem por mjp em Qui Abr 03 2014, 17:07

Atena escreveu:mjp, desculpa-me(!!!) a senhora que escreveu isto, Marisa Lobo, é uma ultra conservadora, religiosa (parece que Evangélica) que acha que a Homossexualidade tem cura pela fé... basta ver o facebook da senhora AQUI.





Mas a questão que eu gostava de ver comentada nem era essa. Isso do homossexualismo/homossexualidade, já foi muito debatida em quase todas as vertentes do problema... umas vezes melhor outras pior, mas já muito debatido.

Como já disse, este é mais um assunto que vem compor um quadro de relativização extrema em relação a muitos assuntos.

Só isso, nada mais; se a cultura do relativismo, quando levado ao extremo e à radicalização, é ou não algo que merece a nossa atenção ou não...


Facebook? o que é isso?  Morrer a rir Morrer a rir Morrer a rir Morrer a rir Morrer a rir Morrer a rir Morrer a rir Morrer a rir Morrer a rir 
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Re: A ideologia de género

Mensagem por Ana Cláudia em Qui Abr 03 2014, 20:39

@mjp escreveu:
Como já disse, este é mais um assunto que vem compor um quadro de relativização extrema em relação a muitos assuntos.

Só isso, nada mais; se a cultura do relativismo, quando levado ao extremo e à radicalização, é ou não algo que merece a nossa atenção ou não...
(Lá estou eu a sentir-me pequenina a discutir coisas fora da minha zona de conforto. Arrisco porque posso petiscar aprender qualquer coisa...  Embarassed )

Relativização

Por Dicionário inFormal
Ver as coisas do mundo como a relação entre elas. Ver que a verdade está mais no olhar do que naquilo que é olhado. Relativizar é não transformar a diferença em hierarquia, em superiores e inferiores, ou bem e mal, mas vê-la na sua dimensão de riqueza por ser diferença.
Relativizar é quando deixamos de lado essa visão preconceituosa e aprendemos a ver o outro somente como diferente


É por aqui?
É que se for por este caminho apesar de não gostar de extremos este extremo não me choca nada...

Dá-me lá outro exemplo que não envolva a identidade de género ou a homossexualidade para ver se mantenho a opinião.

Ana Cláudia
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Re: A ideologia de género

Mensagem por mjp em Sex Abr 04 2014, 10:47

Atena escreveu:
(Lá estou eu a sentir-me pequenina a discutir coisas fora da minha zona de conforto. Arrisco porque posso petiscar aprender qualquer coisa... )

Sem arriscarmos sair da nossa zona de conforto, nunca percebemos o que se passa na zona de conforto dos outros. Pode ser que na zona de conforto dos outros se passe algo que tem a ver com a conquista da nossa zona de conforto. Seria muito desagradável percebermos que nos queremos meter na zona de conforto deles, estando-se completamente nas tintas para a nossa.

Eu também detesto ter de sair da minha. E não me apeteceu nada, por exemplo, ir procurar aqui na WEB o que tenho andado a ler por outros lados e depois tentar fazer as pontes de forma a desmascarar esta aparentemente agradabilíssima tese do relativismo, quando levado aos extremos. como hoje se começa a desenhar em muitas correntes do pensamento dito moderno.

Relativização

Por Dicionário inFormal
Ver as coisas do mundo como a relação entre elas. Ver que a verdade está mais no olhar do que naquilo que é olhado. Relativizar é não transformar a diferença em hierarquia, em superiores e inferiores, ou bem e mal, mas vê-la na sua dimensão de riqueza por ser diferença.
Relativizar é quando deixamos de lado essa visão preconceituosa e aprendemos a ver o outro somente como diferente


É por aqui?
É que se for por este caminho apesar de não gostar de extremos este extremo não me choca nada...
[/quote]

É por aqui, um bocadinho do começo...

Um dicionário serve para descodificar o sentido de uma palavra de forma a que o seu significado encontre no nosso léxico de códigos linguístico um outro, ou uma outra expressão, que nos familiarize com o seu significado; mas só isso. Um dicionário, a menos que seja ou tenha pretensões a ser enciclopédico não apresenta, nem tem de o fazer, os conceitos e os pensamentos que são subjacentes a um determinado significado.

Por isso, entre outras razões, as palavras são importantes, como peças de um puzzle para a compreensão do seu todo, tal como os números e os símbolos matemáticos o são para se perceber a solução de qualquer equação. E, será bom ter sempre em mente que os próprios números e símbolos matemáticos têm um determinado peso em função do lugar em que são apresentados no problema e do símbolo que lhes é aplicado na fórmula, ou seja, até nesse sentido, mesmo os números são relativos quando inseridos num todo problemático; o que não quer dizer que, em si mesmos, não tenham um valor objectivo absolutamente estabelecido e universalmente aceite.


Dá-me lá outro exemplo que não envolva a identidade de género ou a homossexualidade para ver se mantenho a opinião.

Não te vou fazer já essa vontade.

Vamos por partes, e depois se insistires muito, eu até dou.

Primeiro vamos procurar definir os contornos do que é o relativismo:

Relativismo (filosofia)

Entenda-se por relativismo a teoria filosófica fundada na relatividade do conhecimento, recusando toda e qualquer verdade ou valor tidos como absolutos.

Até aqui, eu também estou na minha zona de conforto.

A opinião e o ponto de vista são importantes meios válidos de conhecimento.

Continuo feliz...

Por outro lado, a moral, a religião ou a política, por exemplo, ( verás com a continuação que a ética e outras matérias também) são verdades relativas ao indivíduo, não verdades objetivas ou transcendentes. As coisas são como são e cada indivíduo pode interpretá-las de forma a aproximar-se da realidade. O Relativismo pode ser entendido assim como a postura ou teoria de refutar a existência de verdades e de defesa da opinião.


Bem , começo a torcer fortemente o nariz a esta formulação filosófica.  Mas veremos se terei razões para isso...


Na sociedade pluralista e agnóstica da atualidade a verdade absoluta tende pois a ser um conceito a perder-se, numa época de diferenças e de mitigação das normas sociais, fazendo com que a diversidade seja observável também em questões de religião, de ética e de justiça, modelando assim a sociedade e a cultura.

Como já deves ter percebido, estou a passar por alto a religião, para não ferir as susceptibilidades de quem eventualmente estiver a seguir a conversa. Mas recuso-me terminantemente a deixar passar por alto matérias como a ética, a justiça, a moral ou a política, cuja procura da sua verdade conceptual tem preocupado o espírito dos homens que pensam, tanto quanto a procura das verdades das ciências ditas empíricas e/ou objectivas.

Citando o IT, de memória, a quem na altura pedi autorização para o fazer numa conversa a respeito da pena de morte: "se não existir forma de entroncar uma premissa que seja verdadeira numa verdade absoluta, então não existe a lógica" ou, acrescento eu, uma forma de estabelecer um padrão de pensamento que nos permita aferir da validade de uma qualquer conclusão (ou opinião) seja a respeito daquilo que for. Achei fantástica esta síntese do IT; se não concordarmos que tem de haver uma forma para se estabelecer como verdadeiros e fundamentais alguns princípios em cima dos quais se deve construir um edifício conceptual lógico e internamente coerente, então o melhor será rasgar e deitar fora ou queimar todo o pensamento humanista e ciêntífico da humanidade até aos dias de hoje.



Não existindo normas sociais ou éticas transcendentes, absolutas, ganha contorno o relativismo social e cultural como sistema ético de diferenciação do bem e do mal.

Bem, parece-me claro que tinha mesmo boas razões para torcer fortemente o nariz a esta formulação filosófica.

Querem estes senhores dizer que eu (tu, ele, nós, vós eles) não tenho forma de distinguir o bem do mal. Ainda estás de acordo com isto?.

Mas ainda há uma leve cortina de beleza nesta formulação, para os que estiverem mais desatentos, repara:"...ganha contorno o relativismo social e cultural como sistema ético de diferenciação do bem e do mal."

Relativismo social e cultural...

Então há ou não há forma de estabelecer um sistema ético? Bem, parece que sim. O que a cultura social a definir como tal, segundo esta corrente filosófica. Mas não havendo, como dizem acima: "não existindo normas sociais ou éticas transcendentes, absolutas..." como é que as estabelecem, pergunto eu? Ao sabor de quê? Em cima dos direitos de quem? E dos valores de quem? Se não há normas sociais ou éticas transcendentes, ou seja, que isto fique bem claro para quem nos seguir a conversa, se não existe a tal verdade absoluta, acima da vontade do homem (2+2 são 4 quer queiramos ou concordemos ou não, certo?) na qual inserir premissas, quais peças de um puzzle gigantesco, então a lógica toda é uma gigantesca batata, e nada, mas nada mesmo se pode aferir como bom, válido ou mesmo verdadeiro... nem que 2+2 sejam 4.

A ética, por exemplo, é mãe de tudo o que é: filosofia, política, direito, justiça, entre outras matérias do pensamento humanista; se lhe retiram a sua inerente objectividade, da próxima vez que eu for tomar um café com alguém, em vez de lhe oferecer açúcar, ponho-lhe veneno na bebida que ninguém, nem nada, nem autoridade alguma tem forma de aferir se o que eu fiz  é certo ou errado.

Toda a verdade é relativa a uma cultura ou sociedade específicas.

E pronto. Com o que acima expus, lá se foi a ta lréstea de beleza do tal véu que os mais desatentos poderiam não ter reparado.

Podes continuar a ler, que daqui para diante, é tudo uma pescadinha de rabo na boca, ou seja, é circular, reduntante, e só serve um fim: a extremização do relativismo.

O que uma sociedade aprove, será correto para ela, como tudo o que condenar, será mau. Assim, o bem e o mal já não são determinados em absoluto mas apenas em relação a determinada sociedade. Não existem, no relativismo, social ou cultural, normas finitas e supremas de bem e de mal para julgar a própria sociedade. Socialmente, o relativismo permitiu que aquilo que no passado era considerado "mal", "errado", hoje não tem nem essa conotação nem é igualmente considerado "bem" ou "correto": por exemplo, a homossexualidade, a pornografia, interrupção voluntária de gravidez, o ateísmo, etc. Com o relativismo, dá-se o fim dos monopólios da verdade ou das "verdades" de certas religiões como normas absolutas para outras religiões, como sucedeu com o Cristianismo até ao século XX, ou com o Hinduísmo, na Índia, para não falarmos nos comportamentos sociais daí derivantes.


Podes ler mais aqui e, se quiseres, eu já reuni mais alguma informação mais densa em termos de leitura, e envio-te por mail.
http://humanitatis.net/blogs/nonnisete/o-que-e-relativismo

beijinhos

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Re: A ideologia de género

Mensagem por mjp em Dom Abr 06 2014, 01:11

Protágoras (em grego antigo: Πρωταγόρας; Abdera, c. 490 a.C. — Sicília, c. 415 a.C.1 ) foi um sofista da Grécia Antiga, célebre por cunhar a frase:

"O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são."

Tendo como base para isso o pensamento de Heráclito. Tal frase expressa bem o relativismo tanto dos Sofistas em geral quanto o relativismo do próprio Protágoras. Se o homem é a medida de todas as coisas, então coisa alguma pode ser medida para os homens, ou seja, as leis, as regras, a cultura, tudo deve ser definido pelo conjunto de pessoas, e aquilo que vale em determinado lugar não deve valer, necessariamente, em outro. Esta máxima (ou axioma) também significa que as coisas são conhecidas de uma forma particular e muito pessoal por cada indivíduo, o que vai contra, por exemplo, ao projeto de Sócrates de chegar ao conceito absoluto de cada coisa.

Assim como Sócrates, Protágoras foi acusado de ateísmo (tendo inclusive livros seus queimados em uma praça pública), motivo pelo qual fugiu de Atenas, estabelecendo-se na Sicília, onde morreu aos setenta anos.

Um dos diálogos platônicos tem como título Protágoras,2 onde é exposto um diálogo de Sócrates com o Sofista.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Prot%C3%A1goras


A união da coragem e da sabedoria

Voltemos então à afirmação de Protágoras que diz que a coragem se destaca das outras virtudes, na medida em que existe quem pode ser injusto, ímpio e ignorante mas, ainda assim, superiormente corajoso. Ao que Sócrates pergunta se se chamaria aos corajosos destemidos; Protágoras não só confirma como acrescenta que, além de corajosos, são sempre determinados.

Ninguém procura o que teme, crendo que o que teme é uma coisa má e, consequentemente, ninguém procura ou aceita, voluntariamente, o que acredita ser mau. Mais sinteticamente, se dor = coisa má, então ninguém procura voluntariamente o mal, ninguém voluntariamente procura a dor. O medo é um resultado do mal, então ninguém, de boa-vontade, procura o que teme.

Com isto, Sócrates aborda a cobardia e a coragem, perguntando o que procuram os corajosos, se situações que acreditam não causar temor ou aquelas que acreditam causar temor. Protágoras utiliza a afirmação de Sócrates — que ninguém procura o que teme, já que o ser dominado por si próprio é ignorância — para afirmar que tal é impossível. Assim, apercebemo-nos de que Protágoras está atento ao que Sócrates pretende demonstrar, usando das suas afirmações quando lhe parecem lógicas e coesas.

Os cobardes procuram apenas aquilo em que são mais confiantes, contrariamente aos corajosos que procuram o que temem. Mas Protágoras tem que partir do princípio que isto é impossível, uma vez que concordou que ninguém procurava o que teme. Pelo contrário, todos procuram as situações onde se sentem mais à vontade, onde são mais confiantes. Com este tipo de raciocínio, corajosos e cobardes procuram as mesmas coisas.

Ainda assim, Protágoras contra-argumenta que, apesar de procurarem o mesmo, o que não causa temor, corajosos e cobardes apresentam diferenças significativas nas suas escolhas: em situação da guerra, os corajosos dão-se como voluntários se necessário, enquanto os cobardes de imediato se evadem. Ora, se todos consideram excelente, nobre e louvável, ir à guerra, então o que é bom e nobre é também agradável, daí, os corajosos procurariam o que é louvável, melhor e mais agradável.

E o que acontece aos cobardes? Recusam-se, sem saberem, a procurar o que é louvável, melhor e agradável; se temem, só o fazem por ignorância.

Os cobardes recusam-se a procurar o mais nobre e agradável. A causa disso é a loucura e a ignorância. Ignorância do que se deve ter medo torna-os cobardes; então, a cobardia tem que ser ignorância. Logo, se coragem é o oposto de cobardia, e sabedoria (do que deve ser temido), é o oposto de ignorância, concluí-se que sabedoria e coragem não podem ser separados — a posição de Protágoras de que há homens corajosos mas ignorantes, não só é falsa, como impossível.


Quando apoiada, a coragem nasce até mesmo naqueles que são muito covardes.
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Re: A ideologia de género

Mensagem por mjp em Dom Abr 06 2014, 01:20

O relativismo moral não é um fenómeno exclusivamente moderno; foi sempre o reflexo de uma crise social e civilizacional, e as suas características principais são recorrentes ao longo da História.
http://espectivas.wordpress.com/2010/02/19/aristoteles-e-o-relativismo-moral-1/

Quando apoiada, a coragem nasce até mesmo naqueles que são muito covardes.
Homero (?)
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Re: A ideologia de género

Mensagem por Ana Cláudia em Seg Abr 07 2014, 17:00

Eu vou ler com atenção.

Sabes que estou com dificuldades em ter tempo, e concentração...

Beijinho

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Re: A ideologia de género

Mensagem por mjp em Ter Abr 08 2014, 10:59

Atena escreveu:Eu vou ler com atenção.

Sabes que estou com dificuldades em ter tempo, e concentração...

Beijinho

É só para ires lendo... no "stress".  Wink 

Isto também é o básico, praticamente.

Tu vê é se me lês "aquilo"...  Morrer a rir  Já "contaminei" a minha "psi" e não desisto enquanto não te "contaminar" também.  Morrer a rir  "Aquilo" é uma espécie de "vacina"; dose única e de rápida absorção, indolor e sem efeitos secundários negativos de ordem absolutamente nenhuma que, uma  vez tomada, te abre as portas da compreensão de um mundo até então desconhecido ou só conhecido a uma escala muito reduzida  Morrer a rir  Depois só te surpreendes é com coisas boas, que é o que de facto interessa, que as más ficam tidas como adquiridas logo à partida e de uma forma tão simples que nos deixa, até, "maravilhados"... e com toda a razão de ser.  tass bem
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Re: A ideologia de género

Mensagem por mjp em Ter Abr 08 2014, 13:28

Segundo Perez Luño (1999, p. 48):

“Los derechos humanos aparecen como un conjunto de facultades e instituciones que, en cada momento histórico, concretan las exigencias de la dignidad, la libertad y la igualdad humana, " (que são valor absolutos, com uma existência e coerência interna intrínseca que, não podem/devem, por isso, serem relativizados) las cuales deben ser reconocidas positivamente por los ordenamientos jurídicos a nivel nacional e internacional.”[/color][/u][se têm de ser reconhecidos, positivisados (valorizados pelos ordenamentos júrídicos), como abaixo é explicado, é porque eles embora existindo num plano meta-jurídico/normativo, necessitam de serem reconhecidos, apreendidos e tornados eficazes pelas normas dos homens. Por isso, se se cai no relativismo filosófico - como agora parece ser moda o retorno a essas "velhas" concepções da ontologia filosófica - em que cada um (cada grupo, cada sociedade) estabelece o que é válido ou não, independentemente do reconhecimento desses valores meta jurídico/normativos, ao contrário do que parece ser uma evolução extraordinária na defesa da liberdade e da dignidade do Homem é, de facto, um perigoso artifício se levado a extremos como é este da "ideologia de género" em que se pretende recusar a existência de uma identidade própria a cada indivíduo em função do seu sexo.]

Portanto embora os direitos humanos sejam inerentes a própria condição humana seu reconhecimento, sua proteção é fruto de todo um processo histórico de luta contra o poder e de busca de um sentido para a humanidade.


Como defendia Sócrates (o filósofo ateniense) a busca dos valores absolutos; não como defendia Protágoras, também filósofo ateniense e pai deste "novo/velho" modo de pensar de reduzir o absoluto exclusivamente ao Homem: "o homem é a medida de todas as coisas"

Quanto aos direitos fundamentais, estes nascem a partir do processo de positivação dos direitos humanos, a partir do reconhecimento, pelas legislações positivas de direitos considerados inerentes a pessoa humana.


Neste sentido José Joaquim Gomes Canotilho (1998, p. 259):
http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=5414
Não basta ler e achar que se está documentado. É preciso pensar sobre o que se lê, ou tornamo-nos todos nuns papagaios palrantes, para grande felicidade dos que cada vez mais se agarram ao poder.
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Re: A ideologia de género

Mensagem por mjp em Ter Abr 08 2014, 23:36

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Re: A ideologia de género

Mensagem por mjp em Qua Abr 09 2014, 00:04

Eu sei que o vídeo é muito extenso... mas fica o registo para quem quiser fazer uma consulta, ainda mesmo que saltando minutos, pois acaba por ficar a saber as implicações da facilidade com que se extremam, quase sem que nos apercebamos, algumas posições perfeitamente contraditórias e sem qualquer lógica, mas muito populistas, ou seja, muito fáceis de se apresentarem com roupagens atractivas, mas sem revelarem a sua verdadeira natureza.

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Re: A ideologia de género

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