EX-TESTEMUNHAS DE JEOVÁ
Seja muito Bem-vindo!

Regista-te aqui e descobre a verdade sobre a "verdade"

Lê as regras e respeita-as

Alguma duvida a Adm/Mod está pronta a ajudar.



"Quando aceitamos tudo o que a Organização diz sem verificar, mostramos confiança na Organização. Mas, se mantivermos um espírito atento e examinarmos 'quanto a se estas coisas são realmente assim' (Atos 17:11), então, mostramos zelo para com Jeová. Para quem você mostra zelo?"

A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Página 2 de 9 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Índigo em Dom Fev 09 2014, 00:16

mjp escreveu:
Índigo escreveu:Gostei e estou à espera de mais desenvolvimentos sobre o mustang!!!

A minha teoria é que o mustang tinha apenas um papel na vida da égua, abrir-lhe os olhos ...  Wink 


Mudaste a tua interpretação em dois comentários por três vezes...  Morrer a rir Morrer a rir Morrer a rir 

E eu é que ando cansado... e maluco... e mal da cabeça...  Morrer a rir Morrer a rir Morrer a rir

é da hora ..... realmente .... estou a precisar de dormir!!  Morrer a rir 


Vamos trabalhar juntos para manter neste fórum um ambiente limpo e amigável. Bons comentários!
avatar
Índigo
Colaborador
Colaborador

Mensagens : 3368
Likes : 226
Data de inscrição : 07/05/2012
Localização : Norte

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Parte II "O Durante" A história encantada da Égua Nobody, marcada a ferro quente

Mensagem por Kristy123 em Dom Fev 09 2014, 11:21

...CONTINUAÇÃO.....

A história encantada da Égua Nobody, marcada a ferro quente

Parte I   - “O ANTES”
Parte II  – “O DURANTE”
Parte III  – “O DEPOIS”

No dia em que a égua literalmente fugiu do recinto dos cavalinhos marcados a ferro quente, ficou tão desnorteada, que já não sabia por onde caminhar e foi correndo, sem rumo, por estradas desconhecidas. A égua estava em completo estado de fraqueza, mas mesmo assim, no seu desespero, conseguiu galopar muitos dias e noites, sem parar e somente quando reparou que as suas patas estavam com muitas feridas, de tanto correr, teve que parar. Foi quando reparou numa floresta muito densa e escura. Decidiu entrar nesta floresta muito assustadora, que albergava diversos animais que a égua nunca havia visto antes.  E foi lá, no fundo desta floresta desconhecida, que a égua descobriu o Vale do Silêncio, onde o esquecimento impera.

     

O silêncio era absoluto, até porque quase todos os animais estavam nessa altura a hibernar. Tentou encontrar um esconderijo para se recolher e foi aí que também entrou em completo estado de hibernação.



Passado algum tempo, conseguiu ouvir umas movimentações dos outros animais que estariam a acordar nessa altura e decidiu sair também do seu esconderijo. Ela estava com muita fome e cansada. O estado dela continuava lastimoso e certamente estaria com febre, porque sentia o coração e todo o corpo a arder por dentro, porque só se conseguia lembrar do seu mustang desaparecido e das terríveis descobertas que tinha feito no recinto, com o auxílio dos seus binóculos.
       

A égua tentou procurar algo para comer e subiu o topo de uma montanha e quando estava desgostosa a lembrar-se das saudades que tinha do mustang e do que tinha descoberto no recinto e a pensar em tudo aquilo que lhe tinha acontecido, escorregou e caiu da montanha abaixo.

     


Mas durante a sua queda aparatosa, conseguiu sentir que alguém invisível a estava a amparar. Foi precisamente nesse momento que lhe nasceram umas asas mágicas. A partir dessa altura, a égua percebeu que teria que aprender a utilizar corretamente estas novas asas oferecidas, que lhe dariam a possibilidade de poder voar em completa liberdade para onde ela desejasse e que jamais teria a necessidade ou obrigação de permanecer em locais supostamente inofensivos, que lhe poderiam ferir a sua consciência.

Também foi nessa noite, ao luar, que ela conseguiu tecer um manto mágico que ela passaria a usar para se aquecer, porque estava sozinha e tinha muito frio.  
   

A égua permaneceu no vale do esquecimento, onde o silêncio impera. Quando lhe perguntavam como se chamava, ele simplesmente dizia que era a “Nobody”. Mas o verdadeiro nome da égua não é esse. O nome dela é mais comprido e mais difícil de ser memorizado e também não o revelava a ninguém, porque deixou de acreditar definitivamente em tudo e em todos e não confiava mesmo em mais ninguém, de uma forma tão intensa, que quase que deixou de acreditar nela própria.
 

A Nobody passou a observar o que os outros animais comiam e começou lentamente a provar tudo aquilo que existia no vale do esquecimento e também só comia o que lhe apetecia, para conseguir sobreviver. Por vezes encontrava bolotas e apanhava bagas dos arbustos. Quando lhe apetecia, deitava-se no chão para descansar e olhar para as estrelas e para a lua. Ela não se importava de ficar coberta de lama e de rebolar na relva, porque gostava dessa nova liberdade. Quando mergulhava nos riachos e lagoas, de água bem fria, sentia que a visão dela deixava de estar tão turva e parecia que estava mais lúcida e desperta.  

Mas as saudades do recinto não a largavam e por vezes sentia uma vontade enorme de voltar a comer as bolinhas vermelhas, a que estava habituada. O seu fundamentalismo era tão grande, que pensou que o regresso para o recinto seria o melhor para ela, porque era lá que pertencia.

Chegou ao ponto de se convencer, que os binóculos que tinha levado para o recinto, nesse fatídico dia, estariam certamente avariados, o que a terá conduzido a conclusões erradas e precipitadas.  A Nobody mergulhou num conflito emocional enorme e vacilava entre certezas e dúvidas.
     

No seu desespero, tentou arranjar uma solução para o seu conflito e achou que o seu regresso ao recinto até poderia ser uma boa prova de humilde e confiança, junto dos tratadores que continuariam a cuidar dela, como habitualmente, concluindo que no recinto até nem precisaria mais dos seus olhos e que seria muito mais fácil para ela, prescindir da sua vista. E foi aí que a Nobody se lembrou de chamar os corvos da floresta para a ajudar a arrancar os seus olhos. Depois iria colocar uma venda à volta dos mesmos, com o objetivo de poder conseguir voltar tranquilamente para o recinto.

Com a cabeça inclinada, a olhar para o céu e já com o corvo em cima dela, preparado para lhe arrancar os seus preciosos olhos, a Nobody hesitou subitamente, quando a luz de uma estrela cintilante no céu reflectiu na sua pupila, como se algo a estivesse a impedir de o concretizar. A sua própria consciência, por estar tão bem treinada, a alertou para o facto que esta medida radical e irreversível seria um ato muito irresponsável, que até poderia revelar uma grande insanidade mental e falta de discernimento da parte dela. Foi aí, que a égua afastou imediatamente o corvo e lhe pediu para ir dar uma volta.  
         

Todas as incertezas estavam a consumi-la interiormente e ela já não conseguia suportar mais este sofrimento e continuava presa nos seus pensamentos. O grito do seu silêncio a deixava surda e apesar de não entender uma só palavra, a sua mente barulhenta fingia que não sabia de nada.

Foi então que a Nobody teve que se concentrar e aclarar as suas ideias e começou a recapitular pormenorizadamente tudo o que dizia respeito ao recinto e o que a atormentava. No silêncio da noite e sozinha ao luar, passou minuciosamente a desvendar as suas dúvidas e incertezas com a ajuda de várias letras sábias; palavra a palavra, ponto a ponto, linha a linha, parágrafo a parágrafo; e quase até à exaustão.
 
       

Quando a Nobody finalmente acabou as suas pesquisas, quase todas as suas dúvidas tinham-se transformando em certezas, as quais também vieram a confirmar que os seus binóculos sempre estiveram em perfeito funcionamento. Ao debruçar-se no lago espelhado para chorar, viu o seu reflexo na água e chegou à triste conclusão que afinal nunca teria sido uma égua, mas sim uma grande burra ou então uma vaca louca.

       

Na sua tristeza, desilusão e desgosto, olhou para o céu e viu a lua cheia e foi quando resolveu voar para lá. Durante a sua viagem para a lua, quase que ia atropelando um cometa, que ia a passar, porque a Nobody estava muito desorientada e não conhecia o caminho direto para lá.
   

Quando a Nobody finalmente aterrou, parecia que a lua já estava à espera dela, porque a recebeu de braços abertos e deu-lhe muitos carinhos e beijinhos sinceros, que ela tanto precisava. Como a Nobody nunca tinha falado pessoalmente com a lua, começou a contar-lhe a sua vida toda, ao ínfimo pormenor, iniciando o seu relato com o dia em que nasceu num estábulo. A lua ficou em silêncio e atentamente a ouvir tudo o que a Nobody lhe estava a contar.  

Quando a Nobody chegou ao momento de lhe explicar que estava muito desgostosa em ter perdido misteriosamente o mustang à beira de um deserto e que ele nunca mais quis saber dela e em ter descoberto com os seus binóculos tudo acerca do recinto e das noites que passou em claro, na descoberta de palavras verdadeiras, a Nobody conseguiu passar por todos os sentimentos negativos conhecidos, alguns deles: decepção, revolta, vingança, raiva, ódio, frustração, angústia, medo, culpa, suicídio, dúvida, indiferença, pena, apatia, tristeza, melancolia, desprezo, desinteresse, etc.

No seu desvaneio, começou a dizer à lua, que quando voltasse à floresta do vale do esquecimento, iria chamar uma manada de bois ou elefantes furiosos para invadirem o recinto e com a sua força derrubarem os seis postos de madeira, para que a cozinha do recinto caísse aos bocados. Também contou à lua, que tinha ouvido falar de uma torre que tinha existido há uns anos numa terra muito distante e que desabou por completo, de alto a baixo, e que iria procurar alguém de longe, que atirasse poderosas bolas de fogo no topo da torre, para que ela desmoronasse da mesma forma.
             

Quando acabou de dizer tudo isto, a lua abraçou e tranquilizou novamente a Nobody e explicou-lhe com muita calma, que qualquer atitudes de vingança por parte da égua ou de outro cavalinho qualquer, seriam quase um esforço em vão e inglório e até revelaria uma grande falta de perspicácia e percepção, precisamente porque já existiam outras forças poderosas, mais capacitadas e assertivas para esse efeito e preparadas para entrar em ação, com um simples estalar dos dedos.  
   

Foi aí, que a lua lhe explicou que as preocupações da Nobody teriam mesmo que passar a ser outras e disse imediatamente que ela jamais deveria guardar todos estes sentimentos nefastos e negativos, que iriam subcarregar e prejudicar a vida da Nobody e das quais se tinha que libertar.

Como a lua estava a passar à fase de lua nova, ela aproveitou também para dizer à Nobody para nunca mais duvidar dela própria e que não voltasse a pensar que seria um outro animal qualquer, muito menos, uma burra de carga e confirmou-lhe de uma vez por todas que a Nobody era mesmo uma égua de verdade, conseguindo devolver-lhe a auto-estima, que havia perdido.

A lua continuou a insistir que a Nobody teria mesmo que se esforçar em afastar todos os sentimentos negativos e disse que só poderia ficar somente com três dos mais significantes para ela. A Nobody, como sempre, ficou muito indecisa na escolha dos seus sentimentos e depois de ponderar um pouco, escolheu: melancolia, desprezo e desinteresse. A lua pegou então em três caixinhas para guardar estes três sentimentos.

De seguida pegou em outras três caixinhas e disse à Nobody que agora, em contrapartida, teria que escolher três sentimentos positivos. Explicou-lhe que para tudo na vida teria que haver um equilíbrio. Como oferta especial, uma das três caixinhas até seria um pouco maior que as outras.

A Nobody voltou a ficar indecisa porque até se estava a lembrar de alguns sentimentos positivos que gostaria de guardar nas suas três caixinhas novas. Mas finalmente escolheu: Humor, Tolerância e para a caixinha maior, escolheu: Amor.

Como a Nobody tinha voado para a lua de asas a abanas, ficou sem saber, como  havia de transportar as suas novas caixinhas dos seus sentimentos, de volta à floresta do vale do esquecimento. Foi aí que a lua lhe explicou que ela teria que as guardar lá bem no fundo do seu coração e sempre que quisesse, poderia utilizá-las.

A Nobody ficou muito feliz, quando a lua a fez recordar, que a lua também é filha do Rei do longínquo e magnífico país da mais maravilhosa luz, onde tudo vibra e acontece. Até mesmo todas as estrelas o são, porque cintilam por Ele e para Ele. A égua ficou muito admirada por ouvir, que afinal também era composta por partículas da mesma matéria das estrelas. Por isso é que tudo o que existe é todos em tudo e tudo em todos e um em todos e todos em um.
 

Finalmente, a lua também lhe disse, que já sabia de tudo o que tinha acontecido à Nobody ao longo da sua vida, porque a lua está sempre a observá-la, mesmo quando ninguém a vê. Também lhe contou, que já sabia da existência da Nobody, mesmo antes de ela ter nascido e confirmou que até teve o privilégio de influenciar na escolha da sua data de nascimento.  
 

Mas a lua compreendeu logo que a Nobody não estava a prestar muita atenção a toda essa informação transmitida, de uma vez só, até porque estava entretida a guardar todos os seus sentimentos no seu pequeno coração e mencionou que o cérebro da Nobody só teria uma capacidade de entendimento de meramente uma terça parte do total. Metade dessa terça parte, poderia estar a funcionar a metade dessa metade, por se encontrar já atrofiado ou em estado inactivo ou até já contaminado, principalmente no estado em que a Nobody se encontrava.

A Nobody não fez contas, mas curiosamente conseguiu fazer algo que há muito tempo não fazia: soltou uma gargalhada e sorriu para a lua e disse que, sendo assim, já percebia o motivo de se encontrarem somente uma dúzia de neurónio em pleno funcionamento na sua cabecinha. Foi aí que a Nobody compreendeu, que tinha guardado corretamente todas as caixinhas no fundo do seu coração, porque percebeu que uma das caixas, que era o ‘humor’ se tinha acabado de abrir e estava precisamente nesse momento a entrar em ação.

A Nobody ficou a falar com a lua até de madrugada, antes de regressar à floresta do vale do esquecimento, onde o silêncio impera. Na calorosa despedida, a lua segredou-lhe ao ouvido, para nunca se esquecer de dois concelhos muito importantes para a sua vida: 1º em caso de dúvida ou indecisão, deveria usar sempre a sua caixinha maior e 2º. para nunca duvidar do seu coração, porque ele já existia, antes do seu cérebro começar a pensar.


Ao chegar à floresta, já estavam os pirilampos a ajudá-la a fazer uma boa aterragem no vale do esquecimento e foi quando reparou numa lagoa, que nunca havia visto antes, pelo que foi tomar um banho nessa lagoa mágica de água quente e foi quando lhe apareceram pela primeira vez as pequenas mini-musas esquecidas, que a recordavam de tudo o que a lua lhe havia dito durante toda a noite.

As pequenas mini-musas esquecidas pulverizavam a Nobody com o seu mágico pó cintilante, o qual tinha a capacidade de melhorar por completo o estado de espírito da Nobody, interiorizando-a com novas sensações de paz, serenidade, conforto, sabedoria, discernimento, força e coragem.

 
         

A partir desse dia, a Nobody começou a aprender a usar todos os sentimentos das suas caixinhas, que estavam guardados no seu coração, fortalecendo os seus conhecimentos e ficando mais confiante. A Nobody tinha os seus cinco sentidos todos muito bem em funcionamento e em estado alerta e passou a ser uma excelente observadora e pouco faladora, mas nunca expunha os seus sentimentos. Bastava-lhe olhar para os olhos de alguém, e não precisavam de falar mais nada. Quando escutava, não precisava de olhar para os olhos de alguém.

Começou a aprender sabiamente com o seu amigo mocho do Vale do esquecimento, a ver tudo ao contrário e de outra perspetiva, ensinando-lhe que nunca há certezas absolutas para nada e para continuar a não confiar em ninguém, porque as “iludências aparudem”. Ensinou-lhe também que todas as certezas absolutas de hoje podem passar a ser grandes incertezas no amanhã.
       

Quando a Nobody tinha que tomar uma decisão, aprendeu a fazer também algo de diferente, que era mais um jogo: pegava numa moeda que tem sempre duas faces de igual forma e como conseguia ver só uma face da moeda de cada vez, habituou-se a levantar a moeda com a sua patinha e colocá-la ao alto e na vertical. Ela deixava de ver ambas as faces, mas ela sabia, que estavam lá. Depois chamava os outros amigos do Vale do esquecimento para fazerem um jogo e perguntava a cada um a sua opinião e cada um deles se colocava de cada lado da moeda que tinha escolhido e todos tinham que argumentar a razão de terem escolhido esse lado da moeda.

Mesmo só depois do jogo acabar, é que a Nobody tomava a sua decisão final em silêncio, apesar de muitas vezes já saber de antemão o que queria, antes do jogo se ter iniciado. A Nobody também se entretinha a descobrir a maravilhosa beleza escondida da natureza, que nunca havia visto antes e percebeu que tudo tem o seu propósito, a sua função e a sua razão de ser.
         

Todas as noites, quando os pirilampos apareciam, ela voava para a lua. A Nobody chegava lá num instante, porque a lua ensinou-lhe o percurso pela via galáctica rápida.


Quando regressava ao Vale do desespero, já tinha as pequenas mini-musas esquecidas à espera dela, para se banhar na lagoa de água quente e que a ajudavam a recapitular todos os assuntos que havia falado com a lua durante a noite.


Apesar de a Nobody andar sempre coberta com o seu manto mágico, havia sempre alguém que reparava na marca estranha que ela tinha na sua perna e ela tentava explicar o significado dessa marca e o que lhe tinha acontecido. Mas rapidamente chegou à triste conclusão que não iriam compreender o real significado dessa marca e que qualquer tentativa numa explicação razoável do significado e da verdadeira razão dessa marca, nunca conseguiria ser completamente compreendida por qualquer outro animal curioso, fosse ele uma formiguinha ou um elefante, tanto mais que muitos deles nunca tinham ouvido falar sequer da existência do recinto dos cavalinhos marcados a ferro quente. Ninguém percebia a razão de a égua ter vivido no recinto e muito menos, a razão que a levou sair de lá. Era quase utópico.

Principalmente para aqueles animais ignorantes, que desconheciam por completo o real significado dessa marca, não tinham o direito de falar de assuntos que não lhes dissesse respeito e que não entendiam. Esses tinham mais que se manter em silêncio. Que aprendessem primeiro, antes de poderem falar.
 

Precisamente por essa razão, a Nobody também não podia admitir que alguém fizesse troça dos pobres cavalinhos marcados a ferro quente, porque sentia pena deles, porque eles não sabiam realmente o que estavam a fazer, a bem dizer, o que lhes estavam a fazer….

Sim, a Nobody, sempre tentou ser imparcial, tolerante e justa e teve que aprender a não ter medo de falar com ninguém. Se fosse necessário, até conseguia dar um coice ou repreender seja lá quem fosse. Principalmente, para aqueles animais com atitudes de superioridade e arrogância ou aqueles que apareciam com palavrinhas mansas ou truques de malabarismo, a Nobody tinha todo o prazer em abrir as suas caixinhas do desprezo e desinteresse, de tal forma, que ela própria ficava por vezes admirada, como é que ela conseguia reduzir estes ignóbeis à sua própria insignificância.

Sim, a Nobody tinha muita coragem e tornou-se uma guerreira no Vale do desespero, onde o silêncio impera! Muitas vezes lembrava-se do Mustang e imaginava-o ao lado dela, em que os dois teriam feito uma boa dupla, mas na realidade ele já tinha desaparecido em combate e a Nobody tinha mais era que lutar sozinha.
           

Como a égua até já estava a viver no vale do silencio, achou por bem falar cada vez menos dessa marca e evitava sempre que alguém reparasse nela. A razão dessa atitude, era muito simples: A égua sabia perfeitamente que a responsabilidade era somente dela e não tinha que dar explicações a ninguém, porque já sabia que ninguém iria compreender o real significado dessa marca. Assim, a égua foi-se conformando com essa situação e por vezes até conseguia disfarçar a sua marca com o seu manto mágico.

Da mesma forma como tinha sido ela própria a decidir entrar no recinto, assim também foi ela própria a decidir a sua saida. Ela era a única responsável pelas suas decisões. Não foi influenciada por ninguém e não responsabilizava ninguém, a não ser ela própria, por tudo o que lhe tinha acontecido.

No dia em que a Nobody começou a cantar e a tocar uma música ao luar, ela percebeu de imediato que tinha chegado a hora de sair do Vale do esquecimento.
       

Consciencializou-se dessa situação e começou a construir um baú. Quando terminou, colocou todas as suas saudades e recordações do seu mustang e do recinto nesse baú e fechou-o a sete chaves. Guardou todas as chaves numa das suas caixinhas lá bem no fundo do seu coração. Escusado será dizer, em que caixinha terá sido. Depois foi à procura da árvore mais bonito do Vale do esquecimento e enterrou o baú por baixo dessa árvore.
   
       
   
A Nobody despediu-se do Vale do esquecimento e deixou tudo para trás. Somente levou as suas armaduras, o seu manto mágico e as suas caixinhas que já estavam guardados no seu coração. Conseguiu voltar-se só uma vez, na despedida e saiu do Vale do esquecimento muito bem resolvida, em paz de espírito e com redobradas energias, em direção a uma nova etapa da sua vida.
 
 
avatar
Kristy123
Moderador
Moderador

Mensagens : 4381
Likes : 246
Data de inscrição : 15/10/2013
Idade : 98
Localização : Lisboa

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por mjp em Dom Fev 09 2014, 11:57

Este Vale do esquecimento...

Vou mesmo esperar até ao FINAL.

É que há muito que não leio uma história tão bem contada... há muito, mesmo, que não leio ou ouço, sequer, uma história.

E, quantas vezes, quando me contavam uma história e eu fazia perguntas, me diziam: as histórias são assim; são para serem ouvidas e para que tu tires delas as respostas sem fazeres perguntas...
avatar
mjp
Forista desativado

Mensagens : 6491
Likes : 223
Data de inscrição : 26/09/2011
Idade : 57
Localização : Lisboa

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Investigando a Torre em Dom Fev 09 2014, 12:40

Eu penso que o mustang irá finalmente reaparecer na parte III dando algum colorido à estória, que me parece neste ponto estar algo 'monótona', sem desprimor para a autora!  scratch 

IT


Vamos trabalhar juntos para manter neste fórum um ambiente limpo e amigável. Bons comentários!

"Quem alberga a Verdade no seu coração, não deve temer que lhe falte força na língua e persuasão"
J. RUSKIN
«Stones of Venice», 11
avatar
Investigando a Torre
Admin
Admin

Mensagens : 8435
Likes : 318
Data de inscrição : 21/09/2011
Idade : 58
Localização : Vila Nova de Santo André

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por mjp em Dom Fev 09 2014, 12:56

Investigando a Torre escreveu:Eu penso que o mustang irá finalmente reaparecer na parte III dando algum colorido à estória, que me parece neste ponto estar algo 'monótona', sem desprimor para a autora!  scratch 

IT


Houve um momento um pouco mais arrastado, nisso concordo. Mas de monótona é que não tem nada. Afinal o que será, onde será, este Vale do silêncio onde se curam as feridas e se recebem conselhos?...

Mustangs e éguas lindas há muitas... nós é que, por vezes e por qualquer razão, nos prendemos a um deles e achamos que é o único/a e especial... (isto não me saiu lá muito bem... mas, por agora, não vem ao caso.)

Aguardemos pela continuação...
avatar
mjp
Forista desativado

Mensagens : 6491
Likes : 223
Data de inscrição : 26/09/2011
Idade : 57
Localização : Lisboa

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por mjp em Dom Fev 09 2014, 13:50

Já que vocês estão a dar tanta relevância ao mustang e eu estou quase de saída...  fui reler essas partes:

1- o mustang já estava no recinto mágico quando a égua lá entrou e já trazia consigo outras alternativas de alimentação e estilo de vida que partilhou com a égua. Chegaram a alimentar-se na companhia um do outro e a partilhar ideias, umas conversadas, outras, pelos vistos, guardadas dentro dos seus corações.

2 - Mas pelo que li, a égua também procurou de sua iniciativa outras alimentações e liberdades (terá querido ter a certeza que as do mustang eram melhores,ou eram só outras?...) tanto que, mesmo com os dois ainda no recinto mágico, parece que o mustang e a égua eram independentes na sua procura de outros recintos mágicos... (sim, porque este mundo, para os animais, está cheio desses recintos...).

3 - Depois, um último encontro entre os dois termina subitamente por uma tempestade... fortíssima tempestade, com certeza... e, separados por forças da natureza aparentemente muito grandes, a égua ficou solitária (ou não... daí a grande importância do mustang ou não... ) pois quer tenha aparecido outro cavalo ou não, a ausência de referências  a esse respeito deixa no ar a ideia que o mustang era mesmo real e não uma projecção de um qualquer desejo de liberdade consciente ou inconsciente da égua. Mas a verdade é que a égua retornou ao recinto... amainada a tempestade (que sempre amainam) não se procuraram... e a égua decide, um dia, também deixar o recinto, vacilando, é verdade, mas acaba por se decidir e encontra o tal Vale do silêncio.

Eu, neste momento, estou mesmo mais interessado em perceber o que é o Vale do silêncio. Não era um destino em si... afinal, a égua decidiu que também o ia deixar...
avatar
mjp
Forista desativado

Mensagens : 6491
Likes : 223
Data de inscrição : 26/09/2011
Idade : 57
Localização : Lisboa

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Investigando a Torre em Dom Fev 09 2014, 14:05

mjp,

Gostei desta tua reflexão que poderá dar algumas pistas à Kristy123 para a conclusão da sua estória!

Penso mesmo que a autora, certamente voltará mais tarde a pegar na sua estória e dar-lhe uma outra roupagem com tantas pistas que lhe estão a dar, e tornar uma pequena estória em algo mais sólido do ponto de vista literário.

Pelo que já li, penso que ela tem qualidades mais que suficientes para isso...

IT


Vamos trabalhar juntos para manter neste fórum um ambiente limpo e amigável. Bons comentários!

"Quem alberga a Verdade no seu coração, não deve temer que lhe falte força na língua e persuasão"
J. RUSKIN
«Stones of Venice», 11
avatar
Investigando a Torre
Admin
Admin

Mensagens : 8435
Likes : 318
Data de inscrição : 21/09/2011
Idade : 58
Localização : Vila Nova de Santo André

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Parte III "O Depois" A história encantada da Égua Nobody, marcada a ferro quente

Mensagem por Kristy123 em Dom Fev 09 2014, 14:56

...CONTINUAÇÃO.....

A história encantada da Égua Nobody, marcada a ferro quente

Parte I   - “O ANTES”
Parte II  – “O DURANTE”
Parte III  – “O DEPOIS”

Depois da Nobody ter saído do Vale do esquecimento onde o silêncio impera, tentou viver a sua vida de uma forma muito tranquila e alegre. Gostava de passar de despercebida, era muito observadora e nunca se manifestava muito. Não perdeu nenhumas das faculdades que conseguiu adquirir no Vale do esquecimento.
     

Durante o seu percurso, por montes e vales, encontrava outros recintos, também bem iluminados, com cavalos e éguas, mas nunca entrava, porque jamais queria ser marcada novamente.  

Um certo dia, quando a égua Nobody andava por aí distraída a comer umas maçãs verdes das árvores, passou um cavalo. Como ele era um cavalo muito atrativo e que marcava presença, havia sempre muitas éguas que o seguiam com os olhos, para irem pular com ele nos riachos. No dia em que este cavalo conheceu a Nobody, e tal como os opostos se atraem, passou a ter só olhos para ela e nunca mais a largou, como se de um feitiço se tratasse. Começou a haver muito encanto e passaram e ir os dois às festas da cidade para verem o fogo de artifício. Seria do seu manto mágico?


E foi assim que a Senhora coincidência, já que não se gosta de falar muito do Sr. Destino, achou por bem que a Nobody teria mesmo que passar a manter-se muito ocupada, para não continuar a estar constantemente a pensar no seu passado, encarregando-se de lhe oferecer duas lindas potras de tranças longas, que vivem em total liberdade, sem preconceitos e imposições.


Às vezes, quando abre a sua caixinha da melancolia e quando olha para as suas crias, recorda-se que agora elas estão quase a chegar à idade em que ela própria se refugiou no Vale do desespero onde o esquecimento impera. Mas elas desconhecem por completo esse local e também não precisam de o conhecer, porque não iriam fazer nada para lá. Até os locais mais verdejantes, elas iriam achar uma grande seca e os animais que lá habitam teriam que se refugiar assustados nas suas tocas, porque elas fazem muito barulho. Até as pequenas mini-musas esquecidas do lago mágico de água quente iriam se assustar de tal forma, que teriam que se lembrar de se esconder nas conchinhas no fundo da lagoa de água quente.  

A Nobody continua a andar sempre muito ocupada e a ser muito requisitada lá no estábulo. Ultimamente até anda sempre equipada com um baldinho de água fria e uns paninhos de água quente, para que haja harmonia, o que se torna cada vez mais difícil.

A Nobody não se esqueceu de nada o que aprendeu no Vale do esquecimento e é por isso que também precisa por vezes de alguns momentos de solidão e reflexão, para conseguir carregar baterias e tentar procurar manter o seu equilíbrio emocional e a clareza de raciocínio.
 
   


Por vezes, quando está distraída a passear sozinha, dá-se conta que está à porta da floresta do Vale do esquecimento onde o silencia impera, mas nunca se atreve a entrar. Ela sabe exatamente o local, onde enterrou o baú das suas recordações do seu mustang e do recinto, mas também sabe, que nunca deverá abrir esse baú, porque tem receio de cair lá para dentro, como se tivesse lá um ímen que a puxasse para o interior do baú e onde estão guardadas todas as suas recordações do passado.
 

A melhor amiga da égua continua a ser mesmo a lua, que está sempre a olhar para ela. Para quem a conhece minimamente, já sabe, que a Nobody anda sempre na lua. Por vezes, quando a Nobody está com a lua, ela pergunta à Nobody se ela não quer ficar na lua para sempre e no momento em que a Nobody vai responder, a lua pisca-lhe o olho e diz-lhe que só estava a brincar com ela, até porque a hora dela ainda não tinha chegado e também ainda tinha muito que fazer e já estavam todos no estábulo à espera dela. Pois, a lua também é muito brincalhona; não fosse ela filha de quem é…
 

Mas a Nobody sabe, que a qualquer momento essa hora poderá chegar. E quando isso acontecer, tenha ela tido boas ou más atitudes, grandes ou pequenas obras, poucas ou muitas acções, a pequena pecadora Nobody sabe que, se for salva, será  única e exclusivamente só porque teve Graça.
 

Então ela vai estar no tal canal, à porta, e todos de lá já sabem, que ela vai estar à espera de ver o seu mustang entrar. Sim, porque ela desconfia que ela vai chegar lá primeiro que ele. Nessa altura, mesmo que ele se desvie ou a continue a ignorar, o mustang vai reconhecê-la de imediato pelo abraço forte que a Nobody lhe vai dar. Sim, porque é de sentimentos que estamos a falar e no espaço que existe entre a razão e o sentimento é onde está a alma e a Nobody nunca se esqueceu dos dois concelhos que a lua lhe deu à despedida, na primeira vez que esteve com ela. Sim, nesse local não existe pecado e lá vai ser tudo permitido.

 
 

Durante os últimos anos, a égua tem percorrido vários riachos e lagos e até atravessado oceanos, à procura de Vales encantados, onde os cavalinhos marcados a ferro quente se costumam encontrar. Quando está sozinha, não tem medo de passear por caminhos estreitos com pedras e buracos, porque o seu espírito de liberdade e as recordações a levam a isso.

A Nobody continua a gostar descobrir sempre novos caminhos, porque é muito curiosa.
E agora só por coicidência, descobriu um caminho secreto que vai dar a um Vale Encantado.


   

Para entrar no Vale Encantando, tem que se passar por uma cascata de água morna, a famosa cascata lava’olhos. Essa água mágica, de temperatura muito agradável, vai escorrendo lentamente por cima de todos os que entram. Para aqueles cavalinhos com receio de entrar pela primeira vez, não faz mal que hesitem. Melhor aínda, até porque quanto mais tempo permanecerem por baixo dessa cascata de água morna, que vai escorrendo, de uma forma agradável, pelo seu corpo e especialmente pelos olhos, mais límpida e clara fica a sua vista.


Quando finalmente conseguem atravessar, a primeira reação é de ficarem com a boca aberta e os olhos esbugalhados, porque finalmente começam a ver e a perceber da larga extensão do Vale Encantado e da existência de uma grande variedade de alimentos. Sim, porque o Vale Encantando tem uma alimentação verdadeiramente especial e única.


Logo à entrada está um pagagaio muito engraçado que se entretém o dia todo a repetir as boas vindas a todos os que entram a primeira vez no Vale Encantado.

A Nobody, quando entra a correr para o Vale Encantado e depois de passar pela cascata de água morna, tira logo o seu manto mágico, porque no Vale Encantado ela não precisa do seu manto mágico para nada. Além disso, o sol brilha lá dia e noite e por isso está sempre muito calor no Vale Encantado. Se ela quiser, até pode andar toda nua; sim, porque ela não é a única que anda por lá despida de preconceitos e imposições.

No Vale Encantado também ninguém se importa de mostrar as suas pernas com a marca a ferro quente e até gostamos de ver as marcas uns dos outros, porque são todas diferentes. Por isso é que a Nobody gosta muito de olhar para as pernas dos outros, para conseguir ver o tamanho da marca. A primeira vez que viu as pernas dos cavalinhos marcados a ferro quente do Vale Encantado, até exclamou:  “Wow, que lindas pernas”.


Lá pode encontrar éguas e cavalos que são todos diferentes, mas numa coisa são todos iguais: todos conseguem reconhecer e compreender o real significado dessa marca gravada a ferro quente e falar das suas experiências e a importância que esta marca ainda tem para cada um, porque ela continua sempre lá. É como se de uma família especial se tratasse: a família dos cavalinhos marcados a ferro quente.  

No Vale Encantando, também existem uns cavalinhos especiais, que, com a sua paciência, conseguem tranquilizar os outros e têm a faculdade incrível de conseguir lamber as nossas marcas.  E quem é que não gosta de receber umas boas lambidelas? E quem as recebe, também tem que aprender a saber dar.
   

É nesse Vale Encantado que a Nobody consegue recupera as suas forças e fortalecer os seus conhecimentos e pensamentos. Consegue recapitular muita coisa que já havia esquecido e consegue saber mais, daquilo que ela gosta de saber, até porque o saber, não ocupa lugar. Todos podem lá brincar, andar a galope, fazer piruetas e dar cambalhotas, de uma forma descomprometida e livre. Até ninguém se importa alguém ter pulgas, porque assim é da maneira que conseguimos saltar mais alto.


O Vale encantado está repleto de passarinhos coloridos, abelhas que fabricam um mel viciante e de borboletas mágicas. Já tem acontecido à Nobody, quando corre muito, de engolir umas borboletas, as quais começam a dançar no estômago dela. O Vale encantado até já é conhecido pela música do “Bo tem mel”. Por tudo isto, a Nobody tem conseguido experienciar alguns Dejavu’s.  
 

Muitas vezes, quando um cavalinho se lembra de uma música e começa a cantar, todos os outros cavalinhos fazem logo uma rodinha e depois cantamos todos em conjunto.  Consta que está lá um cavalinho que há uns anos atrás estava cheio de apetite e terá engolido vários gira-discos e agora tem a barriga cheia de música, porque conhece todas elas do mundo.  


Não há muitas éguas no Vale encantado, mas as que lá estão são mesmo muito especiais e têm lindas tranças compridas. Elas são 5 estrelas e muitas vezes até valem por dois. Também não têm medo de falar e muitos dos cavalinhos já têm aprendido muito com elas, porque elas é que sabem.


O Vale Encantado está repleto de alimentação variada e única, indicada para todos os cavalinhos marcados a ferro quente e é lá que existem uns arbustos, onde nascem umas alfaces verdinhas e especiais que somente neste Vale encantado podem ser encontradas. Sim, estas alfaces, são conhecidas pelos molhos-de-abrolhos e são mesmo muito especiais.

Os molhos-de-abrolhos são tão fresquinhos e suculentos, tão únicos e originais, que já estão a ficar cada vez mais conhecidos por muitos cavalinhos, que até já aparecem de terras muito distantes, para os comer.  

No Vale Encantado também existem diversas árvores de todos os tamanhos e qualidades. As mais famosas são as árvores flutuantes, onde estão pendurados os deliciosos rebuçados mente-litos livres. Sim, estes mente-litos livres existem em várias cores, tal arco-iris e nascem livremente nas árvores.

Para quem não sabe, estes rebuçados são mesmo muito potentes e dão a volta à cabeça a qualquer um dos cavalinhos mais recentes. Para os que não conhecem e que não estão habituados a comer estes fortes e potentes mente-litos livres, fica logo em ponto de rebuçado, ao ponto de lhes sair fumo dos ouvidos.

Existem também os famosos cachos de microlhinhos. Estes cachos deliciosos, que parecem mais umas framboesas, são igualmente potentes e muito especiais. Os cachos de microlhinhos já são famosas por serem adelgaçantes e diuréticos. Mas não há nada, como experimentar.  

Como somente neste Vale Encantado se podem encontrar os deliciosos molhos-de-abr’olhos, os potentes mente-litos livres e os cachos de microlhinhos, todos estes se tornam singulares, únicos e originais, pelo que, na verdade, já são considerados mesmo os verdadeiros.

E é por isso que todos os jardineiros e os ajudantes que cuidam do Vale encantado andam sempre muito ocupados, a correr de um lado para o outro, a controlar o crescimento dos molhos-de-abr’olhos, mente-litos e dos microlhinhos, porque todos eles nascem a uma velocidade verdadeiramente alucinante, de dia e de noite. Todos eles têm sempre muito que fazer e têm que estar muito atentos e inspeccionar as hortas e retirar algumas folhas estragadas.

Esta deliciosa alimentação é muito saudável e é considerada biológica e natural, porque toda ela nasce no Vale encantado de uma forma livre, somente com o auxílio de muito sol, água pura da nascente e com muita dedicação.  

Por isso é que a Nobody acha que as vedações do Vale encantado devem ser bem subidas. Não vá por lá aparecer um dragão esfomeado e invadir o Vale encantado e patinhar as hortas todas e devorar os deliciosos molhos-de-abr’olhos, mente-litos livres e os cachos de microlhinhos verdadeiros.

Cada vez há mais cavalos a descobrir o caminho secreto para o Vale encantado. Muitos deles ainda são bem gordinhos e até possuem marcas de ferro bem grandes e outros já são bem magrinhos.


Ás vezes, os cavalos mais revoltados e traumatizados tentam morder aos outros. Mas há sempre alguém mais paciente que depois os tenta acalmar. Mesmo os cavalinhos mais arrogantes, que com a sua postura revelam a sua fraqueza e que andam com máscaras de carnaval para esconder os seus medos e inseguranças, são bem tratados.
Para aqueles génios, que com a sua arrogância se transformam em palhaços, a Nobody já conseguiu abrir as suas caixinhas do desprezo e do humor e depois só consegue dizer umas piadas sarcásticas, que ás vezes podem ser mal interpretadas ou não entendidas à primeira.  E o que ela gosta mais de fazer, é de brincar.

Os cavalos mais gordos e mais corajosos, têm total liberdade de poderem comer toda a alimentação que nasce no Vale encantado. Quando os cavalos mais gordos perdem mais o medo, atrevem-se finalmente comer os deliciosos molhos-de-abr’olhos e é nessa altura que eles costumam ficar um pouco atordoados, porque não estão habituados a esta alimentação diferente e desconhecem por vezes os efeitos benéficos que esta alimentação tem, principalmente para aqueles que a come pela primeira vezes.

Há uns que depois dizem que não voltam mais, mas aqueles que o dizem, depois voltam sempre outra vez, porque de facto começam lentamente a perceber que afinal é verdade, que a alimentação do Vale encantado é mais saudável e que a visão desses cavalinhos mais relutantes e arrogantes começa a ficar cada vez mais límpida.

Ás vezes, estes cavalinhos gordinhos, quando comem os molhos-de-abr’olhos, os rebuçados mente-litos e os cachos de microlhos ficam de tal forma atordoados, que  costumam ficar com uma enorme diarreia mental, porque esta alimentação é muito depurativa, ao ponto de lhes sair fumo dos ouvidos e saírem também dos olhos e da boca as bolinhas vermelhas que eles tinham comido um dia antes no recinto.

Devido ao efeito diurético e adelgaçante, ficam com uma enorme flatulência e diarreia e no regresso ao seu recinto habitual ficam todos borrados e com medo que alguém desconfie por onde eles andaram e têm que se limpar muito bem, antes de voltarem a entrar no seu recinto.



E quando alguém descobre, então aí está o caldo entornado. Os cavalinhos do recinto consideram-se muito limpinhos e naturalmente têm medo de ficarem contaminados com alguma pulga ou piolho que possa saltar do pêlo dos cavalinhos vadios, que podem trazer doenças contagiosas para o imaculado recinto.  

Quando os cavalinhos do recinto que já conhecem o Vale encantado, começam a perceber finalmente do que se está a passar, mas que continuam a fazer uma vida dupla no recinto, então começam a ter uma carga emocional maior. É nesse momento que cada um tem que pôr a sua consciência a trabalhar e eventualmente encontrar uma floresta qualquer que exista por aí, para conseguir pensar melhor. Mas cada um é que sabe.

O mais triste é mesmo, quando os cavalinhos vadios voltam ao recinto e se apercebem que até os cavalinhos do recinto da mesma linhagem fazem conta de não os conhecer. Mas naturalmente isto acontece, porque no recinto é tudo muito bem educado e quando um cavalinho vadio entra, continua-se a estar de costas voltadas para a porta de entrada, até porque se está de uma forma ordeira a comer á frente dos comedouros e até parecia mal, sair da sua posição, ainda por cima, para ir cumprimentar um piolhoso vadio. Com sorte, ainda há um ou outro cavalinho que à socapa lhe consegue piscar um olho. Aí também dá muito jeito, não se conseguir ouvir muito bem e nessa altura até convém disfarçadamente encher a boca com muitas bolinhas vermelhas, porque as regras da boa educação ditam que não se fala com a boca cheia.


E o tema no recinto dos cavalinhos vadios fica resolvido. E é mesmo nessa altura que se começa a sentir uma das mais pesadas e traumatizantes dores psicológicas, que envolve uma carga emocional muito grande…

O feeling da Nobody também lhe diz que os cavalos do recinto estão a dar cada vez mais fisgadas nas suas próprias patas e o tão anunciado fim do mundo poderá significar na realidade o anúncio do fim da torre, porque o sinónimo do “mundo” para os cavalos do recinto é a “torre”.



Quando esse dia chegar, a Nobody receia seriamente que nessa altura haverá uma grande tribulação para os cavalinhos do recinto, que vão ficar completamente perdidos e até receia que os mais desesperados se venham a afogar no mar.
 

Por isso, o Vale encantado deve estar bem preparado para uma possível e intensa afluência dos cavalinhos marcados a ferro quente, porque esse dia chegará mais depressa do que se está à espera…

Ainda hoje, a Nobody fica muito constrangida e horrorizada, quando imagina que outrora teria tido coragem, e sem pestanar, de negar uma possível ajuda num eventual salvamento da sua própria vida, em prole de teorias dúbias, ao sabor de diretrizes manipuladas e deturpadas proveniente de terceiros. Ao invés, com esta atitude deplorável, estaria a manchar as suas próprias mãos com sangue. Ao recusar levianamente a sua própria vida, estaria a menosprezar e a desrespeitar por completo, de uma das formas mais graves, unicamente AQUELE que legitimamente se sacrificou pela nossa própria vida que nos ofereceu, com a finalidade de ser preservada e estimada a todo o custo, utilizando todos os recursos possíveis.


É como se virasse o feitiço contra o feiticeiro. E pensando bem, não seria um suicídio, cometido por vezes de forma impensada, involuntária e impulsiva, mais fácil de ser perdoado, do que querer acabar com a sua vida de uma forma calculada, voluntária e intencional?



Hoje em dia, a Nobody reconhece que, mesmo com uma marca a ferro quente muito pequena e quase invisível, conseguia ser mais fanática, do que muitos que lá andavam. Porque tudo o que fazia, fazia com convicção e certezas absolutas, a 100 %. Mas agora 100% para ela não existe.

A Nobody não se tem esquecido o que a lua lhe tem ensinado desde o primeiro dia em que ela voo para lá. Cada vez há mais situações que a fazem pensar que só sabe que nada sabe e quanto mais ela se afasta da terra, mais ela consegue perceber que há muito mais além da nossa compreensão.

A Nobody sabe, que por detrás da lua existem muitas estrelas e outros mundos e todas as repostas às suas inúmeras dúvidas e perguntas, que ela continua a ter, encontram-se lá.



A lua desde início lhe tem falado da sua caixinha maior e lhe tem dito que esse sentimento será mesmo o mais importante de todos e é aquele que o universo reclama que seja usado.

É esse a chave do segredo!

 

É o mais simples e o mais difícil!

AMOR é só uma palavra, até ao dia em que alguém te mostra o real significado dela.    

Sim, porque existe o AMOR de várias formas, cores, posições e feitios.
Amor incondicional, amor ao próximo, amor fraternal, amor carnal.
Existe sexo sem amor, mas também existe amor sem sexo.
Existe o AMOR UNIVERSAL.
O amor é a essência do universo.

E quem o sabe sentir, consegue sentir a sua vibração:


Tão simples, e o mais complicado…. E é somente isto que nos pedem e não conseguimos dar…




E nos entretantos, a Nobody vai se conformando e distraindo a abrir as suas caixinhas dos sentimentos e vai pulando e brincando no Vale encantado e até pode ser que um dia venha a encontrar o seu mustang num dos Vales encantados… e depois logo se vê...




Ah e já agora, o nome verdadeiro da Nobody é:   “Only want freedom”.

                              F  I  N  A  L _  M  E  N  T  E   _  L  I  V  R  E  


avatar
Kristy123
Moderador
Moderador

Mensagens : 4381
Likes : 246
Data de inscrição : 15/10/2013
Idade : 98
Localização : Lisboa

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por mjp em Dom Fev 09 2014, 17:06

Bem, chega-se a casa, começa-se a preparar o resto do Domingo, (hoje há Benfica - Sporting, não se esqueçam) abre-se o Vale encantado (desculpem, o computador ligado directamente a este fórum) e fica-se pasmado...

Eu, para já, ainda estou com um frio no estômago para conseguir comentar. No entanto, eu sugeria à ADM/MOD que solicitasse à Kristy123 autorização para guardar esta narrativa em Depoimentos.

Eu agora vou mesmo ver se consigo digerir com a cabeça o que acabo de ler com o coração.

Parabéns Kristy123. Foi, se não a melhor, seguramente das melhores coisas que já vi aqui escritas neste fórum.

Dizer-te obrigado seria redundante...

Não te esqueças da Lua... essa tua grande amiga. Usa a caixa que ela te deu, mas só para os sentimentos permitidos e não te apresses a ir ter com ela... ela não foge de onde está... e tu ainda tens muitos Vales Encantados por onde passar, aprender e melhorar, tal como todos nós aqui, ou por outros vales por onde andemos. E, finalmente, quando Aquele que tem toda a legitimidade decidir acolher-nos no derradeiro Vale, o Vale Mais Encantado de Todos... terás então tempo para descobrires todos os segredos do universo e da liberdade. Mas querer ir para lá antes de passarmos por todos os outros, sejam os do Esquecimento, do Silêncio e outros igualmente encantados que sempre nos têm algo a ensinar desde que queiramos escutar, querer entrar já nele sem termos feito o percurso completo dos Vales, é batota.

Não sei, mas tenho dúvidas muito sérias, que alguém que seja batoteiro, possa, depois, perceber todos os segredos do Vale Mais Encantado de Todos.
avatar
mjp
Forista desativado

Mensagens : 6491
Likes : 223
Data de inscrição : 26/09/2011
Idade : 57
Localização : Lisboa

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Kristy123 em Dom Fev 09 2014, 17:54


Para quem pretende ver as fotos melhor, só precisa de clicar na foto.




avatar
Kristy123
Moderador
Moderador

Mensagens : 4381
Likes : 246
Data de inscrição : 15/10/2013
Idade : 98
Localização : Lisboa

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por TJ Curioso em Dom Fev 09 2014, 20:05

Realmente... os meus parabéns amiga!

Que linda história encantada... adorei cada frase! 

Obrigado por teres tido a coragem de partilhar este conto connosco. Enriqueceste o fórum com esta maravilha...


 aplausos  aplausos  aplausos  aplausos

TJ Curioso
Forista desativado

Mensagens : 9046
Likes : 417
Data de inscrição : 26/09/2011
Idade : 43

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Investigando a Torre em Dom Fev 09 2014, 20:06

Eu ainda estou a tentar digerir um pouco esta estória, que confesso, soube-me a pouco!
Cá para mim a estória deveria ter mais que 3 capítulos, pois existe ali uma fase da sua vida pouco explorada e o tal mustang acabou por não ser assim tão relevante no contexto da estória, ou então alguns de nós criaram expectativas exageradas em relação a este personagem.

Tenho no entanto que dar os parabéns à Kristy123 pela sua imaginação.  aplausos 

Concordo com o mjp em que este tenha sido até ao momento o depoimento mais espectacular, pelo que solicito desde já à autora que nos autorize a condensar esta estória, que se procedam às correcções ortográficas que se impõem, e logo após a sua aprovação, a mesma passe para a nossa secção de Depoimentos.

Entretanto, vou ter que ler e reler, deixando ao mesmo tempo que outros se pronunciem, para depois com maior propriedade poder emitir uma opinião com mais lógica e substrato.

IT


Última edição por Investigando a Torre em Dom Fev 09 2014, 20:18, editado 3 vez(es)


Vamos trabalhar juntos para manter neste fórum um ambiente limpo e amigável. Bons comentários!

"Quem alberga a Verdade no seu coração, não deve temer que lhe falte força na língua e persuasão"
J. RUSKIN
«Stones of Venice», 11
avatar
Investigando a Torre
Admin
Admin

Mensagens : 8435
Likes : 318
Data de inscrição : 21/09/2011
Idade : 58
Localização : Vila Nova de Santo André

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Investigando a Torre em Dom Fev 09 2014, 20:08

TJ Curioso escreveu:Realmente... os meus parabéns amiga!

Que linda história encantada... adorei cada frase! 

Obrigado por teres tido a coragem de partilhar este conto connosco. Enriqueceste o fórum com esta maravilha...


 aplausos  aplausos  aplausos  aplausos

Pois, e já agora desenvolve lá essa conotação com o ou um mustang!  bounce 

IT


Vamos trabalhar juntos para manter neste fórum um ambiente limpo e amigável. Bons comentários!

"Quem alberga a Verdade no seu coração, não deve temer que lhe falte força na língua e persuasão"
J. RUSKIN
«Stones of Venice», 11
avatar
Investigando a Torre
Admin
Admin

Mensagens : 8435
Likes : 318
Data de inscrição : 21/09/2011
Idade : 58
Localização : Vila Nova de Santo André

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por TJ Curioso em Dom Fev 09 2014, 20:34

Revi-me no papel do mustang, porque segundo a minha visão da história ele, assim como eu, também devido às suas descobertas, percebeu que havia mundo para além do "recinto" e que afinal aquele recinto não era tão protetor e inofensivo assim.

Também eu tenho partilhado as minhas "descobertas" com outros "cavalos" e "éguas"...  Morrer a rir 

Mais uma vez sublinho que foi delicioso ler esta história, que de fantástica tem apenas os simbolismos e paralelismos usados. A maior parte dos foristas terá percebido que esta história é uma auto-biografia, relacionada com o mundo da "torre" e a forma como a escritora saiu da mesma...

TJ Curioso
Forista desativado

Mensagens : 9046
Likes : 417
Data de inscrição : 26/09/2011
Idade : 43

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Investigando a Torre em Dom Fev 09 2014, 20:40

TJ Curioso escreveu:Revi-me no papel do mustang, porque segundo a minha visão da história ele, assim como eu, também devido às suas descobertas, percebeu que havia mundo para além do "recinto" e que afinal aquele recinto não era tão protetor e inofensivo assim.

Também eu tenho partilhado as minhas "descobertas" com outros "cavalos" e "éguas"...  Morrer a rir 

Mais uma vez sublinho que foi delicioso ler esta história, que de fantástica tem apenas os simbolismos e paralelismos usados. A maior parte dos foristas terá percebido que esta história é uma auto-biografia, relacionada com o mundo da "torre" e a forma como a escritora saiu da mesma...

Só que na estória, ficámos todos sem saber se o mustang assumiu tal como tu, em partilhar as suas hipotéticas descobertas com outros "cavalos" e "éguas". Ele pode ter sido simplesmente um 'bluff'...

IT


Vamos trabalhar juntos para manter neste fórum um ambiente limpo e amigável. Bons comentários!

"Quem alberga a Verdade no seu coração, não deve temer que lhe falte força na língua e persuasão"
J. RUSKIN
«Stones of Venice», 11
avatar
Investigando a Torre
Admin
Admin

Mensagens : 8435
Likes : 318
Data de inscrição : 21/09/2011
Idade : 58
Localização : Vila Nova de Santo André

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por mjp em Dom Fev 09 2014, 20:46

Investigando a Torre escreveu:
TJ Curioso escreveu:Revi-me no papel do mustang, porque segundo a minha visão da história ele, assim como eu, também devido às suas descobertas, percebeu que havia mundo para além do "recinto" e que afinal aquele recinto não era tão protetor e inofensivo assim.

Também eu tenho partilhado as minhas "descobertas" com outros "cavalos" e "éguas"...  Morrer a rir 

Mais uma vez sublinho que foi delicioso ler esta história, que de fantástica tem apenas os simbolismos e paralelismos usados. A maior parte dos foristas terá percebido que esta história é uma auto-biografia, relacionada com o mundo da "torre" e a forma como a escritora saiu da mesma...

Só que na estória, ficámos todos sem saber se o mustang assumiu tal como tu, em partilhar as suas hipotéticas descobertas com outros "cavalos" e "éguas". Ele pode ter sido simplesmente um 'bluff'...

IT


O mustang, nesta história, seguiu a sua vida... saiu do recinto e foi em liberdade escolher os seus caminhos... não interessa, penso eu, se o mustang se tornou uma sentinela de aviso aos outros cavalos...

Mais importante que isso, na história, foi a tempestade de areia que os envolveu no último encontro, e que fez o mustang sair, pela força da tempestade, da vida da égua. Estranho - de facto é triste e eu estranho - só o facto do mustang , sabendo onde ficava o recinto onde a égua continuava a comer, não ter lá voltado para tentar salvá-la de lá...

Parecia existir, estou já convencidíssimo disso, uma cumplicidade muito mais que intelectual entre os dois...
avatar
mjp
Forista desativado

Mensagens : 6491
Likes : 223
Data de inscrição : 26/09/2011
Idade : 57
Localização : Lisboa

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Índigo em Dom Fev 09 2014, 21:13

Kristy para ti:

 aplausos aplausos aplausos aplausos aplausos aplausos aplausos aplausos aplausos aplausos aplausos aplausos 


Fizeste-me sorrir, fizeste-me rir e por fim fizeste-me chorar!

Concordo que foi o depoimento mais incrivel e bem escrito que já li aqui no fórum.

Revi-me em tantas situações, mas também deixaste-me a pensar em outras tantas. Fiquei com inúmeras questões na minha mente ....

Continuo achar que a história entre a égua e o mustang não está totalmente encerrada. Há questões que a égua gostaria de ver respondidas, se calhar a mais importante será: - Porquê?

Quem sabe algum cavalo no Vale Encantado não reconheça a égua e se aproxime e lhe revele que é o "seu" mustang!

Como sou uma romântica e adoro histórias de encantar com um final feliz, fico à espera que a lua ilumine o encontro da égua e do mustang. Wink 


Vamos trabalhar juntos para manter neste fórum um ambiente limpo e amigável. Bons comentários!
avatar
Índigo
Colaborador
Colaborador

Mensagens : 3368
Likes : 226
Data de inscrição : 07/05/2012
Localização : Norte

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Investigando a Torre em Dom Fev 09 2014, 21:37

Índigo escreveu:Continuo achar que a história entre a égua e o mustang não está totalmente encerrada. Há questões que a égua gostaria de ver respondidas, se calhar a mais importante será: - Porquê?

Quem sabe algum cavalo no Vale Encantado não reconheça a égua e se aproxime e lhe revele que é o "seu" mustang!

Como sou uma romântica e adoro histórias de encantar com um final feliz, fico à espera que a lua ilumine o encontro da égua e do mustang. Wink 

Índigo

O que é que tu sabes que nós não sabemos?

IT


Vamos trabalhar juntos para manter neste fórum um ambiente limpo e amigável. Bons comentários!

"Quem alberga a Verdade no seu coração, não deve temer que lhe falte força na língua e persuasão"
J. RUSKIN
«Stones of Venice», 11
avatar
Investigando a Torre
Admin
Admin

Mensagens : 8435
Likes : 318
Data de inscrição : 21/09/2011
Idade : 58
Localização : Vila Nova de Santo André

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Índigo em Dom Fev 09 2014, 22:11

Investigando a Torre escreveu:
Índigo escreveu:Continuo achar que a história entre a égua e o mustang não está totalmente encerrada. Há questões que a égua gostaria de ver respondidas, se calhar a mais importante será: - Porquê?

Quem sabe algum cavalo no Vale Encantado não reconheça a égua e se aproxime e lhe revele que é o "seu" mustang!

Como sou uma romântica e adoro histórias de encantar com um final feliz, fico à espera que a lua ilumine o encontro da égua e do mustang. Wink 

Índigo

O que é que tu sabes que nós não sabemos?

IT

Eu não sei mais do que vocês ... mas o que li fez-me tirar esta elação!


Vamos trabalhar juntos para manter neste fórum um ambiente limpo e amigável. Bons comentários!
avatar
Índigo
Colaborador
Colaborador

Mensagens : 3368
Likes : 226
Data de inscrição : 07/05/2012
Localização : Norte

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Sara Mel em Dom Fev 09 2014, 22:40

Kristy,

estou embargada..... honestamente emocionada, com esta história e com este depoimento... porque é o que se trata, é um colocar para fora toda uma história de vida....

não tenho uma história idêntica, mas conheço alguém que me é próximo que tem... e isso comoveu-me muito!
Em alguns momentos comovi-me, como quando entram as filhas da égua...
Acho delicioso a descrição que fazes do forum e de nós.... tens uma visão correcta do que é o forum e do que isto significa... e uma visão doce sobre o amor e a vida...

A título pessoal digo que tenho pena de não acreditar em algo acima de mim, como tu... no texto vê-se essa crença... deve saber bem esse conforto, essa Lua!

Olha querida, está Brutal... parabéns....
Obrigada!


Sara Mel
avatar
Sara Mel
Sócio APVIPRE
Sócio APVIPRE

Mensagens : 2743
Likes : 96
Data de inscrição : 26/11/2012
Idade : 43
Localização : Norte

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Investigando a Torre em Dom Fev 09 2014, 22:43

Uma coisa eu gostei de saber, este fórum funciona para a autora como um Vale Encantado, e temos por cá um papagaio... que dá as boas vindas aos novos que aqui chegam.
Como a única pessoa referenciada por ela no início da sua narrativa foi o ellipsis, que até ao momento não se pronunciou, queres ver que o papagaio é ele?

IT


Vamos trabalhar juntos para manter neste fórum um ambiente limpo e amigável. Bons comentários!

"Quem alberga a Verdade no seu coração, não deve temer que lhe falte força na língua e persuasão"
J. RUSKIN
«Stones of Venice», 11
avatar
Investigando a Torre
Admin
Admin

Mensagens : 8435
Likes : 318
Data de inscrição : 21/09/2011
Idade : 58
Localização : Vila Nova de Santo André

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Índigo em Dom Fev 09 2014, 23:20

Investigando a Torre escreveu:Uma coisa eu gostei de saber,  este fórum funciona para a autora como um Vale Encantado,  e temos por cá um papagaio... que dá as boas vindas aos novos que aqui chegam.
Como a única pessoa referenciada por ela no início da sua narrativa foi o ellipsis, que até ao momento não se pronunciou, queres ver que o papagaio é ele?

IT

O papagaio ser o Ellipsis???  Morrer a rir Morrer a rir Morrer a rir Morrer a rir 

Tem alguma lógica ....  Razz Razz Razz 


Vamos trabalhar juntos para manter neste fórum um ambiente limpo e amigável. Bons comentários!
avatar
Índigo
Colaborador
Colaborador

Mensagens : 3368
Likes : 226
Data de inscrição : 07/05/2012
Localização : Norte

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Índigo em Seg Fev 10 2014, 23:39

Índigo escreveu:

Continuo achar que a história entre a égua e o mustang não está totalmente encerrada. Há questões que a égua gostaria de ver respondidas, se calhar a mais importante será: - Porquê?

Quem sabe algum cavalo no Vale Encantado não reconheça a égua e se aproxime e lhe revele que é o "seu" mustang!

Considero esta música uma descrição da minha teoria entre a égua e o mustang ....  Embarassed 




P. S. Acredito que um dia ainda se irão encontrar em algum lugar ...  Wink


Vamos trabalhar juntos para manter neste fórum um ambiente limpo e amigável. Bons comentários!
avatar
Índigo
Colaborador
Colaborador

Mensagens : 3368
Likes : 226
Data de inscrição : 07/05/2012
Localização : Norte

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Sara Mel em Ter Fev 11 2014, 09:30

Índigo escreveu:
Índigo escreveu:

Continuo achar que a história entre a égua e o mustang não está totalmente encerrada. Há questões que a égua gostaria de ver respondidas, se calhar a mais importante será: - Porquê?

Quem sabe algum cavalo no Vale Encantado não reconheça a égua e se aproxime e lhe revele que é o "seu" mustang!

Considero esta música uma descrição da minha teoria entre a égua e o mustang ....  Embarassed 



P. S. Acredito que um dia ainda se irão encontrar em algum lugar ...  Wink

és uma romãntica Indigo... és tão bonita rapariga! Eu já não consigo ver as coisas como tu!

a encontrarem-se que seja como na crença da égua, um dia noutra vida...
nesta, mesmo que se encontrem, já não são os mesmos espíritos.. Os anos correram, transformaram, fazem com a alma seja outra, mais vivida, mais sofrida e a inocência dos tempos de juventude, em que o amor era límpido sem artifícios, já não acontece! e as respostas ás dúvidas, aos porquês podem fazer mais estragos...

Mas a tua visão é tão bonita e eu sou apaixonada por uma boa história de amor, mas o meu cepticismo faz ser-me fria e ver as coisas noutra perspectiva mais feia...


Sara Mel
avatar
Sara Mel
Sócio APVIPRE
Sócio APVIPRE

Mensagens : 2743
Likes : 96
Data de inscrição : 26/11/2012
Idade : 43
Localização : Norte

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por mjp em Ter Fev 11 2014, 10:04

Sara Mel escreveu:

Mas a tua visão é tão bonita e eu sou apaixonada por uma boa história de amor, mas o meu cepticismo faz ser-me fria e ver as coisas noutra perspectiva mais feia...

Eu não diria, de todo, feia, mas, realista. O tempo não anda para trás. Se os caminhos não se cruzam na altura, por qualquer razão, é porque os agentes de uma determinada história ou não o quiseram mudar, ou porque não puderam.

Eu, como já disse, no destino é que não procuro as respostas...

Por outro lado, se é verdade que aconteceram casos, fora da ficção literarária e cinematográfica de pessoas que se vêm a amar muitos anos depois, após uma separação forçada e insuperável d e muitos anos... também sabemos que isso é a raríssima excepção e não a regra.

Não será muito bom para as nossas vidas presentes, aquela que fazemos todos os dias, ficarmos presos à ideia de que fomos vítimas de uma qualquer terrível teia, tecida pelas Moiras, e ficar à espera, eternamente, que elas fiem um outro caminho para a nossa felicidade...

Prefiro mesmo o Fado português...  Very Happy 

Chorar a vida inteira por algo que não aconteceu... não é bom. Acho eu...

avatar
mjp
Forista desativado

Mensagens : 6491
Likes : 223
Data de inscrição : 26/09/2011
Idade : 57
Localização : Lisboa

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A História Encantada da Égua Nobody, Marcada a Ferro Quente

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 2 de 9 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum