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Por que não é possível acabar com a religião?

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Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por hocosi em Sex Ago 23 2013, 21:30

Se a religião for tirada das pessoas, outra coisa deverá ser posta em seu lugar. Comte propôs a ciência, comunistas e nazistas transformaram seus regimes políticos em religiões de Estado, ao mesmo tempo em que baniram as outras.

O filme O Livro de Eli (2010), estrelado por Denzel Washington, retrata um mundo pós-apocalíptico, devastado por uma grande guerra que dizimou a maior parte da humanidade e onde as piores observações de Hobbes sobre a ausência do Estado se tornam realidade. No Filme, Denzel Washington interpreta Eli, um homem errante que, apesar de sempre andar armado, busca viver em paz. Sua tranquilidade, no entanto, dura apenas até encontrar um vilarejo controlado por um chefe de bandidos, Carnegie, interpretado por Gary Oldman e cuja filha, Solara (Mila Kunis) se apaixona por Eli.

Apesar de déspota, Carnegie adora ler e costuma recompensar aqueles que lhe trazem livros. Mas há um livro em especial que ninguém mais consegue encontrar e que ele desejar obter a todo custo. Hospedado no vilarejo de Carnegie, Eli é o único homem que possui o livro e o carrega secretamente consigo em uma mochila. Durante a trama descobrimos que se trata da Bíblia. Quando descobre que Eli a possui, Carnegie tenta convencê-lo a fazer uma troca; ao perceber que seus esforços são inúteis, passa a persegui-lo para tomar o livro e a filha que foge com ele.

Perguntado sobre o porquê de fazer tanta questão por este livro a ponto de perseguir um homem até a morte, Carnegie responde que com este livro é possível dominar as pessoas, torná-las mais dóceis, obedientes, governá-las com mais facilidade. Curioso é que em uma cena anterior, entre os livros de Carnegie, constava uma biografia do ditador fascista italiano Benito Mussolini, que, através de um acordo com a Igreja Católica, criou o Estado do Vaticano em troca de apoio político.

Quando, porém, consegue tomar o livro de Eli, descobre que está grafado em braile, linguagem que desconhece. Pede então que sua esposa, que vive praticamente cativa em seu casarão, o leia em voz alta, ao que ela se recusa. Posteriormente Eli consegue retomar o livro e o leva para o que considera ser um lugar seguro, uma espécie de comunidade cristã, onde o doa, possibilitando um longo trabalho de tradução do braile e a reimpressão de milhares de exemplares.

O Filme pode suscitar uma série de reflexões sobre o papel político das religiões e dos livros sagrados em determinados contextos. Desde as teocracias do Oriente Próximo, até alguns dos regimes mais sanguinários da era contemporânea, a religião exerceu papeis determinantes na legitimidade de regimes políticos despóticos. Entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do século XX, diversos intelectuais tentaram antecipar o fim das religiões, com o advento de uma era de felicidade e autorrealização humana por meio da ciência e da produção material.

Comte chamava este período de estado positivo e conclamou até mesmo a criação de uma religião da humanidade pautada no ideário científico. Para Marx, o advento do comunismo retiraria a humanidade da pré-história, tornando desnecessárias organizações que outrora justificavam ideologicamente a divisão da sociedade em classes, como o Estado, o aparelho jurídico e a religião. O comunismo foi sem dúvida a mais ousada tentativa de banimento da religião. Durante sete décadas, o Estado Soviético fez uma forte propaganda antirreligiosa, derrubou templos, fechou outros para colocar departamentos de Estado em seu lugar, destruiu símbolos religiosos, enviou sacerdotes para campos de trabalho forçado, transformou o ateísmo em ideologia de Estado, proibiu cultos e distribuição de livros sagrados.

Mas mesmo toda a pertinácia dos comunistas não foi suficiente para suprimir o sentimento religioso. Tão logo o regime colapsou, a igreja ortodoxa reabilitou-se e hoje já é uma das instituições mais fortes e influentes da Rússia, sendo inclusive apoiada e apoiando o regime de Vladimir Putin. É emblemático o caso das garotas do grupo punk Pussy Riot, recentemente condenadas por terem feito críticas a Putin e acusadas de terem praticado vandalismo contra símbolos religiosos.

Freud, embora não partilhasse do mesmo otimismo em relação ao futuro de Comte e Marx, considerava a religião uma espécie de neurose universal, uma ilusão infantil. Mas por que, mesmo com todo o avanço da ciência moderna, os grandes sistemas religiosos não perderam seu vigor e se expandem por todos os continentes do globo? Diversas respostas podem ser dadas a essas questões, entre elas a de que os benefícios da ciência e da modernidade não chegaram da mesma forma a todos os países, tendo, ao contrário, sido usados como elementos de dominação e espoliação dos mais fortes sobre os mais fracos. Qualquer que seja a resposta, não é possível explicar um fenômeno tão complexo e abrangente de forma simples.

Muitas coisas dependem do contexto vivenciado por cada sociedade, de sua formação histórica, das diferenças entre os diversos sistemas religiosos. As religiões não apenas se mantêm fortes, como também se hibridizaram, algumas assumiram posturas mais agressivas, outras se dissolveram ou se dispersaram. Pelo menos do ponto de vista das ciências sociais, hoje não faz mais sentido qualificar as religiões de irracionais e ilusórias. A Antropologia nos ensinou muito sobre isso.

Um fato, porém, é que as religiões podem exercer papéis muito diferentes. No Ocidente, a Igreja Católica criou escolas, universidades, orfanatos, hospitais e até hoje dirige e apoia diversas instituições desse tipo. Mas também perseguiu e executou milhares de pessoas inocentes através dos tribunais da inquisição, em alguns casos amparou o extermínio de nações inteiras de indígenas nas Américas e converteu outros à força, apoiou o nazismo e o fascismo e silenciou em relação ao Holocausto.

O Islamismo preservou muitos livros preciosos de filósofos gregos e desenvolveu, durante a Idade Média cristã, conhecimentos na área de geometria, medicina e navegação. Hoje, porém, se caracteriza pela violência com que trata seus próprios povos, apedrejamentos por adultério, execuções por blasfêmia, mutilação e outros tipo de violência contra mulheres e, em muitos lugares, a negação de seus direitos. Além disso, o Alcorão incentiva a guerra e a agressão física contra mulheres. Apesar de ser uma das mais poderosas forças culturais da humanidade, as religiões podem se voltar contra seus próprios seguidores ou contra outros grupos de forma devastadora, como narra James A. Haught no livro Perseguições Religiosas.

Guerras, despotismos, genocídios, proibições, vigilância, controle, julgamentos, execuções, torturas físicas e psicológicas e humilhações públicas. São fatos que marcaram e ainda marcam a trajetória de muitas religiões e seitas em todo o mundo. Não faltaram tentativas de acabar com tudo isso. O comunismo foi a principal delas. Alegando ter como missão histórica libertar o homem da dominação religiosa, o comunismo terminou por promover ainda mais escravizações e extermínios.

Mas por que então muitas pessoas decidem por conta própria obedecer, sujeitar-se, mesmo em detrimento de suas opiniões e de seus projetos? Diversas pesquisas no ramo da neurologia e neuropsiquiatria mostram o quanto as crenças religiosas podem ser benéficas a seus adeptos. Um desses estudos é o do geneticista norte-americano Dean Hamer, que no livro O Gene de Deus mostra que a propensão à fé religiosa pode ser genética em muitos casos. Outros estudos mostram o quanto a fé pode fazer bem a muitas pessoas, trazendo motivação, alívio emocional e em muitos casos até prevenindo doenças. Essa, sem dúvida, é outra importante resposta para a pergunta que intitula essa postagem.

Se a religião for tirada das pessoas, outra coisa deverá ser posta em seu lugar. Comte propôs a ciência, comunistas e nazistas transformaram seus regimes políticos em religiões de Estado, ao mesmo tempo em que baniram as outras. Mas nem a ciência nem as doutrinas políticas podem oferecer algo que é apanágio das religiões: consolo para o sofrimento e privações e perspectiva de vida após a morte. O Budismo e outros credos orientais oferecem a primeira mas não a segunda. As religiões de salvação e o Hinduísmo oferecem ambas.

Diante disso, não parece ser possível que as religiões um dia deixem de existir, mas seria bastante salutar que elas não perseguissem e não matassem em nome de uma verdade revelada, tida como absoluta. Mas o caminho para chegar a isso, sem a necessidade da força inibidora do Estado, ainda parece ser longo, se é que é mesmo possível. A história nos mostra o quanto os sistemas religiosos são avessos a conviver com a diferença, com a alteridade. Mesmo que isso tenha ocorrido em diversos momentos, como na Península Ibérica sob a dominação islâmica, esses momentos constituem exceção e não a regra. E a intolerância pesa muito mais na balança quando falamos de religiões monoteístas.

Quanto ao ateísmo e agnosticismo, são posturas essencialmente aristocráticas, como dizia Robespierre. Voltaire também pensava de forma semelhante. Essas posturas quase sempre são intelectuais e seu crescimento depende muito do nível intelectual de uma população e de sua qualidade de vida, embora não apenas destas, como já comentei em outra postagem sobre a relação entre Q.I. alto e descrença religiosa. Mesmo a Europa sendo o continente com as mais altas taxas de desfiliação religiosa, as missas papais aos domingos costumam lotar a praça de São Pedro.

O ser humano é um ser simbólico, que constrói valores e crenças para nortear sua ação. Para a maior parte das pessoas é impensável viver sem a crença em um ser que julgam superior, que lhes vigia as ações e as recompensará e para elas é impensável também viver suas crenças sem ser em coletividade, isto é, em uma comunidade que lhe diga exatamente o que fazer. A fragilidade humana, doenças, infortúnios e morte impõem a tentativa de transcender a materialidade do mundo e buscar uma dimensão espiritual que possa dar sentido à existência. Se quisermos chamar isso de ilusão, então a religião não é menos ilusória do que nossas ideologias políticas que, em última instância, imaginam a construção de um mundo ideal.

Não importa para muitas pessoas que a história das religiões às quais estão filiadas está marcada pelas tragédias que elencamos acima. A religião é uma importante fonte de sentidos, e é isso que buscam. O problema é quando não conseguem perceber as ações daqueles que, atrás das produções de sentidos, almejam poder e poder absoluto. Mussolini certa vez disse aos italianos: “não pensem, deixem que eu penso por vocês”. É disso que trata o filme o Livro de Eli e é uma questão importante sobre a qual não podemos deixar de refletir.

http://bertonesousa.wordpress.com/2012/11/26/por-que-nao-e-possivel-acabar-com-a-religiao/
Os destaques são meus.



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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por Crixus em Sex Ago 23 2013, 23:15

ja agora o Eli nao recuperou o livro, ele foi la ao tal sitio, que nao era uma cominidade cristã. mas sim um grupo de pessoas que estava recolher tudo o que se tinha perdido so faltava uma biblia. O Eli foi para la sem a biblia ele tinha decorado a biblia e depois ditou a. Ja agora era uma versao King James. Mas mais nao conto vejam o filme. e sem duvida muito bom




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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por jamir em Sab Ago 24 2013, 20:14

Gostei muito dessa parte:
A fragilidade humana, doenças, infortúnios e morte impõem a tentativa de transcender a materialidade do mundo e buscar uma dimensão espiritual que possa dar sentido à existência. Se quisermos chamar isso de ilusão, então a religião não é menos ilusória do que nossas ideologias políticas que, em última instância, imaginam a construção de um mundo ideal.
A religião explora as vulnerabilidades das pessoas (falta de dinheiro, falta de saúde) e dá aquilo que elas precisam desesperadamente: Uma esperança!
Muitas pessoas estão dispostas a abrir mão da racionalidade para ter essa esperança.


♫♫ É Deus veraz que tudo prediz, somos seu povo feliz! ♫♫
(repetir até acreditar)

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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por Altar em Dom Ago 25 2013, 00:37

@jamir escreveu:Gostei muito dessa parte:
A fragilidade humana, doenças, infortúnios e morte impõem a tentativa de transcender a materialidade do mundo e buscar uma dimensão espiritual que possa dar sentido à existência. Se quisermos chamar isso de ilusão, então a religião não é menos ilusória do que nossas ideologias políticas que, em última instância, imaginam a construção de um mundo ideal.
A religião explora as vulnerabilidades das pessoas (falta de dinheiro, falta de saúde) e dá aquilo que elas precisam desesperadamente: Uma esperança!
Muitas pessoas estão dispostas a abrir mão da racionalidade para ter essa esperança.
Já dizia alguém que a religião é o ópio do povo

Faço também lembrar que o anti-semitismo, que volta e meia surge na história com grande força, se deve à herança que herdamos das suas leis morais restritivas à verdadeira natureza do género humano - animal como outro qualquer

parece que aqueles 10 mandamentos foram escolhidos mesmo a dedo para limitar e aprisionar as nossas verdadeiras tendências naturais

porque é que não posso seguir as minhas paixões ?
porque é que não posso cobiçar e ter o que desejo ardentemente ?
porque é que não me posso livrar de empecilhos ?
porque é que não posso ser adorado, respeitado, idolatrado, temido, como um verdadeiro senhor ?
porque é que não posso ter tudo o que desejo ?

mas quem me proíbe ?! essas leis parvas dos Judeus ?!





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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por hocosi em Dom Ago 25 2013, 00:46

@Altar escreveu:
@jamir escreveu:Gostei muito dessa parte:
A fragilidade humana, doenças, infortúnios e morte impõem a tentativa de transcender a materialidade do mundo e buscar uma dimensão espiritual que possa dar sentido à existência. Se quisermos chamar isso de ilusão, então a religião não é menos ilusória do que nossas ideologias políticas que, em última instância, imaginam a construção de um mundo ideal.
A religião explora as vulnerabilidades das pessoas (falta de dinheiro, falta de saúde) e dá aquilo que elas precisam desesperadamente: Uma esperança!
Muitas pessoas estão dispostas a abrir mão da racionalidade para ter essa esperança.
Já dizia alguém que a religião é o ópio do povo

Faço também lembrar que o anti-semitismo, que volta e meia surge na história com grande força, se deve à herança que herdamos das suas leis morais restritivas à verdadeira natureza do género humano - animal como outro qualquer

parece que aqueles 10 mandamentos foram escolhidos mesmo a dedo para limitar e aprisionar as nossas verdadeiras tendências naturais

porque é que não posso seguir as minhas paixões ?
porque é que não posso cobiçar e ter o que desejo ardentemente ?
porque é que não me posso livrar de empecilhos ?
porque é que não posso ser adorado, respeitado, idolatrado, temido, como um verdadeiro senhor ?
porque é que não posso ter tudo o que desejo ?

mas quem me proíbe ?! essas leis parvas dos Judeus ?!
Boa noite Altar. Já há algum tempo que eu não via por cá. Noto no entanto uma mudança de atitude. Antes apresentava-se como um defensor da ICAR, chegando a dar a impressão de querer fazer proselitismo. Não entendi isso. Apenas expressava as suas convicções. Agora noto um tom irónico, beirando a troça. Estou enganado?



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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por mjp em Dom Ago 25 2013, 01:33

@hocosi escreveu:
Boa noite Altar. Já há algum tempo que eu não via por cá. Noto no entanto uma mudança de atitude. Antes apresentava-se como um defensor da ICAR, chegando a dar a impressão de querer fazer proselitismo. Não entendi isso. Apenas expressava as suas convicções. Agora noto um tom irónico, beirando a troça. Estou enganado?
Penso que estás. Inclino-me mais para a possibilidade do Altar estar a levantar questões para, em função de eventuais respostas, desenvolver um fio no raciocínio...

Às vezes faço isso...Morrer a rir  geralmente dá bronca! Morrer a rir 

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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por Ana Cláudia em Dom Ago 25 2013, 19:38

@mjp escreveu:

Às vezes faço isso...Morrer a rir  geralmente dá bronca! Morrer a rir 
Não dá nada!!! Morrer a rir Morrer a rir Morrer a rir 

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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por hocosi em Dom Ago 25 2013, 19:41

@mjp escreveu:
@hocosi escreveu:
Boa noite Altar. Já há algum tempo que eu não via por cá. Noto no entanto uma mudança de atitude. Antes apresentava-se como um defensor da ICAR, chegando a dar a impressão de querer fazer proselitismo. Não entendi isso. Apenas expressava as suas convicções. Agora noto um tom irónico, beirando a troça. Estou enganado?
Penso que estás. Inclino-me mais para a possibilidade do Altar estar a levantar questões para, em função de eventuais respostas, desenvolver um fio no raciocínio...

Às vezes faço isso...Morrer a rir  geralmente dá bronca! Morrer a rir 
O problema é que o fio muitas vezes começa a ficar grande e, ou se faz um novelo ou fica uma sarilhada em que é difícil encontrar as pontas.Morrer a rir



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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por Altar em Seg Ago 26 2013, 18:17

tens razão, mjp

como não há respostas vou adiantando mais um pouco...

existem religiões más e perigosas, é certo

mas uma qualquer religião que tenha bons princípios não é má, faz mais bem do que mal, é útil

como seria a nossa sociedade do sec. XXI sem a herança cultural judaico/cristã ?!

ela perfeita não é, claro, mas não seria ela ainda mais imperfeita ?!

basta ver as sociedades do tempo de Cristo, à 2.000 anos, ou à 600/700 anos nas américas...nas sociedades onde não havia o Deus Judaico e por conseguinte ainda não tinham sido "contaminadas" com essa cultura

O que tínhamos ?! em primeiro lugar o endeusamento do Homem, uma promiscuidade generalizada, corrupção e lutas de poder sem limites ou escrúpulos, etc...

haaaa, mas continuamos a ter isso agora, diriam muitos. Claro, mas na minha opinião muito, mas muito minimizada - quer pela lei civil ou herança da moral. Não sei se sabem que a lei civil foi baseada na lei canónica, foi inspirar-se lá para formar a primeira edição do que hoje chamamos do Código do Direito Civil. Basta saber um pouco da história da justiça, os advogados deverão saber...




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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por hocosi em Seg Ago 26 2013, 18:40

Altar escreveu:

basta ver as sociedades do tempo de Cristo, à 2.000 anos, ou à 600/700 anos nas américas...nas sociedades onde não havia o Deus Judaico e por conseguinte ainda não tinham sido "contaminadas" com essa cultura

O que tínhamos ?! em primeiro lugar o endeusamento do Homem, uma promiscuidade generalizada, corrupção e lutas de poder sem limites ou escrúpulos, etc...
Isso deve ser para rir, não?



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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por hocosi em Seg Ago 26 2013, 19:07

O papa Bento 16 ignorou a realidade brasileira nos cinco dias de visita ao país, na avaliação de especialistas em Vaticano ouvidos pela BBC Brasil.

Segundo esses analistas, os discursos do papa demonstraram que ele não consegue entender o pluralismo religioso existente no Brasil e o conceito mais abrangente de família, além de não reconhecer o processo sangrento que marcou o início da evangelização na América Latina.

O último discurso do papa, na abertura da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, em Aparecida (SP), foi considerado o pior deles.

“Ele começou dizendo que o Brasil nasceu cristão e terminou afirmando que nunca existiu um ataque à cultura pré-colombiana na América Latina. A história do genocídio dos indígenas parece completamente desconhecida por ele”, disse Ettore Masina, escritor e especialista em assuntos do Vaticano.

Para o vaticanista Giancarlo Zizola, foi “uma gafe maior do que a cometida contra os muçulmanos durante viagem à Alemanha no ano passado”.

Segundo Zizola, o papa deveria ter pedido desculpas às culturas “massacradas pelo cristianismo”.

“Sem esta autocrítica, o discurso da Igreja é frágil, não pode se tornar significativo para o povo latino-americano. O objetivo de ter um contato maior com a América Latina é um projeto que nasce falido.”

No discurso, Bento 16 disse que “o anúncio de Jesus e de seu Evangelho não supôs, em nenhum momento, uma alienação das culturas pré-colombianas, nem foi uma imposição de uma cultura estrangeira”.

‘Passo atrás’

O vaticanista Marco Politi considerou o pronunciamento “um passo atrás em relação à história”.

“Até mesmo João Paulo 2º tinha reconhecido os excessos. Não se pode dizer que os povos pré-colombianos estavam à espera do cristianismo. Foi o grande equívoco desta viagem.”

Para Masina, Bento 16 escuta apenas o que dizem integrantes de movimentos eclesiais conservadores, como Opus Dei e Legionários.

“Eles lhe asseguram fidelidade absoluta e, ao mesmo tempo, impõem suas teologias”, afirmou.

Numa comparação com as três viagens feitas por João Paulo 2º ao Brasil, Giancarlo Zizola diz que Bento 16 fez a visita com a mentalidade voltada para a Europa e, em conseqüência, acabaram faltando elementos como sensibilidade, emoção, alegria e entusiasmo.

Imagem pessoal

Apesar disso, alguns analistas acreditam que com a visita ao Brasil, o papa possa ter suavizado a imagem severa associada a ele no início do seu pontificado.

Marco Politi disse esperar que os brasileiros tenham entendido que Bento 16 é uma pessoa tímida, mas muito doce, que se esforça para agradar.

Já Vincenzo Pace, professor de Sociologia da Religião da Universidade de Pádua, acredita que o papa Bento 16 não se esforçou para mudar a imagem do teólogo frio, defensor da fé, que fala mais à mente que ao coração.

Na avaliação do sociólogo, os discursos do papa sobre a família, aborto e castidade fora do casamento foram inúteis. Ele argumenta que para os brasileiros, a concepção de família é diferente daquela tradição católica européia.

Pace lembra que muitas mulheres são chefes de família, têm dois ou três filhos com diferentes pais. “São comportamentos há muito tempo difundidos, que é difícil pensar em mudar”, afirmou.

Além disso, o governo brasileiro tem uma política de distribuição maciça de camisinhas, que conta com apoio da população e o discurso de castidade serve apenas a uma pequena minoria.

Pace, que também é presidente da Sociedade Internacional de Sociologia da Religião e esteve inúmeras vezes no Brasil, diz que muitas das palavras do papa não terão eco entre brasileiros.

“Ele precisa levar em consideração que, além do mito do catolicismo como religião fundamental, os brasileiros têm um espírito pluralista”, disse. “Ao mesmo tempo em que vão a missas, freqüentam pais e mães de santo e, dependendo do problema, vão à Igreja kardecista também. É uma realidade que nós na Europa desconhecemos.”

Segundo os especialistas em Vaticano, a viagem deixou muito clara a intenção deste papado de restabelecer a doutrina e que o princípio da autoridade da Igreja e do papa não deve ser colocado em discussão.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/05/070515_papavaticanistasml.shtml



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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por Altar em Seg Ago 26 2013, 19:56

@hocosi escreveu:
Altar escreveu:

basta ver as sociedades do tempo de Cristo, à 2.000 anos, ou à 600/700 anos nas américas...nas sociedades onde não havia o Deus Judaico e por conseguinte ainda não tinham sido "contaminadas" com essa cultura

O que tínhamos ?! em primeiro lugar o endeusamento do Homem, uma promiscuidade generalizada, corrupção e lutas de poder sem limites ou escrúpulos, etc...
Isso deve ser para rir, não?
então diz-me o que havia, ou como seria

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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por hocosi em Seg Ago 26 2013, 21:56

Prezado Altar,
Eu não te posso dizer como seria ou o que haveria hoje se não fosse a colonização dos europeus dos povos nas américa da mesma maneira que não te posso dizer muitas outras coisas. Agora o que eu sei e isso está bem documentado na história é que a colonização e consequente cristianização dos povos naquelas terras foram acompanhadas com a chacina e genocídio de populações.

Ainda hoje o meu patrão que visitou o Peru na última semana comentava como os “cristãos” espanhóis ao ocuparem aquelas terras que não lhes pertenciam, devassaram tudo, até mesmo as sepulturas dos indígenas para lhes roubarem o ouro.
Mas não vou estar aqui a dar-te uma lição de história. Estas coisas são por demais conhecidas. O artigo que apresentei acima ilustra bem como nós europeus ignoramos ou fingimos ignorar todo o mal que foi feito em nome de Cristo na América e em muitas outras partes do mundo.

Por outro lado, eu quero-te pedir desculpa assim como vou pedir ao amigo mjp por  repetidas vezes cair na tentação de falar da ICAR. Eu sei que é a vossa religião e que é vossa obrigação defende-la. E eu não estou aqui para atacar a ICAR.
Perdoa-me se sentes que fui ofensivo contigo. Eu sinto que fui.




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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por Ana Cláudia em Seg Ago 26 2013, 22:12

Perdem-me a intromissão..

A ICAR é um tema tão delicado porquê?

Será um tabu deste forum?

Se eu posso defender o meu ponto de vista enquanto agnóstica e ser "atacada" porque é que com os católicos deveria ser diferente?

Assim como não tenho intenção de "converter" quem quer que seja imagino que os católicos também não.

Gostava de contar com as vossas respostas!

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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por mjp em Seg Ago 26 2013, 22:13

@hocosi escreveu:Prezado Altar,

Por outro lado, eu quero-te pedir desculpa assim como vou pedir ao amigo mjp por  repetidas vezes cair na tentação de falar da ICAR. Eu sei que é a vossa religião e que é vossa obrigação defende-la. E eu não estou aqui para atacar a ICAR.
Perdoa-me se sentes que fui ofensivo contigo. Eu sinto que fui.

Caro hocosi, talvez ainda não tenhas percebido, mas possivelmente a culpa é mesmo minha; de uma vez por todas: eu não me ofendo por se falar aqui mal da ICAR. A mim, não tens de me pedir desculpa nenhuma!

O que aqui, neste fórum, me preocupa, e isso pela simples razão de me considerar vosso amigo e pensar que, pelo menos alguns de vós também me estimam, são certas posições que estão mais arraigadas ao vosso coração que à vossa cabeça.

Penso que Deus não tem culpa nenhuma do mal que a seita a todos nos fez e respeitando todas as vossas convicções quero só e tão simplesmente tentar que, pelo menos alguns, não desistam de Deus de forma completa. Se tal acontecer, se deixarem um bocadinho de espaço para que Ele de novo brilhe um "poucochinho pequenininho" que seja nos vossos corações, Ele saberá o que fazer com esse raiozinho que despontar dentro deles.

Abraço.

Eu só vos estimo muito, nada mais.

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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por mjp em Seg Ago 26 2013, 22:37

Atena escreveu:Perdem-me a intromissão..

A ICAR é um tema tão delicado porquê?
Não é delicado. E eu tento só intervir a título informativo e nada mais. Como sabes, por vezes, as pessoas confundem conceitos. Mais vale prevenir que remediar e eu, sempre que posso, faço isso. Mas certas fronteiras é que são delicadas... sabemos disso.

Atena escreveu:Será um tabu deste forum?
Nada tabú! Detesto tabús. Falo por mim.

Atena escreveu:Se eu posso defender o meu ponto de vista enquanto agnóstica e ser "atacada" porque é que com os católicos deveria ser diferente?
Aqui é que a porca torce o rabo e bem. Já houve outras situações. Outros já tentaram aqui defender certos pontos de vista! Filhos e enteados não é a minha especialidade.

Atena escreveu:Assim como não tenho intenção de "converter" quem quer que seja imagino que os católicos também não.
Eu não, podes disso ter a certeza. As minhas grandes lutas aqui só têm a ver com a tal ideia do Deus culpado e do Deus inexistente.

Atena escreveu:Gostava de contar com as vossas respostas!
Já dei!Very Happy


Última edição por Atena em Ter Ago 27 2013, 10:00, editado 1 vez(es) (Razão : Edição da citação)

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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por Altar em Seg Ago 26 2013, 23:11

@hocosi escreveu:

Eu sinto que fui.

seres ofensivo por dizeres o que te vai na alma ?!

não, não foste

eu não pretendo defender a ICAR aqui neste fórum, atacando inclusive a religião das TJs ou outra, nem foi por isso que me registei

mas eu também nunca menti, sou católico e catequista

falas da história, mas quem deve responder à pergunta "tem sentido a História?" :

o historiador, o filósofo ou o teólogo? ou a própria pergunta não tem sentido?

Estudar história requer o conhecimento prévio de que com esse estudo se almeja algo impossível e importantíssimo. Estudar história significa entregar-se ao caos, conservando a crença na ordem e no sentido. É uma tarefa muito séria... talvez mesmo trágica

muito a dizer e muito a rebater sobre essa História

Mas não é isso que estou a tentar defender, a explicar

Estou sim, a tentar que não odeiem Deus, ou mesmo a própria bíblia - seja por motivos históricos seja por vivências pessoais numa qualquer seita nefasta. Trocar um ódio por outro, um mal por outro talvez pior. Pelo menos na minha perspectiva de que o universo é muito mais do que aquilo que vemos com os sentidos

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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por Ana Cláudia em Ter Ago 27 2013, 10:02

@mjp escreveu:
Atena escreveu:Se eu posso defender o meu ponto de vista enquanto agnóstica e ser "atacada" porque é que com os católicos deveria ser diferente?
Aqui é que a porca torce o rabo e bem. Já houve outras situações. Outros já tentaram aqui defender certos pontos de vista! Filhos e enteados não é a minha especialidade.

Obrigada por me responderes! Very Happy 

Podes esclarecer-me só este ponto? Não percebi muito bem. Embarassed 

Se preferires por mp, seja.

Abraço para ti mjp!!!

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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por gregdagangue em Ter Set 23 2014, 20:41

Seria porque é um MAL necessário...? Question

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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

Mensagem por hocosi em Sab Mar 21 2015, 20:00

O que há de bom nas religiões.




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Re: Por que não é possível acabar com a religião?

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